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Falso médico: Justiça avalia soltura de empresário que usou CRM de sócio que morreu durante investigações

Falso médico: Justiça avalia soltura de empresário que usou CRM de sócio que morreu durante investigações

Falso médico: Justiça avalia soltura de empresário que usou CRM de sócio que morreu durante investigações

Falso médico: Justiça avalia soltura de empresário que usou CRM de sócio que morreu durante investigações

Wellington Augusto Mazini Silva foi preso por exercício ilegal da medicina em Cananéia.

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) iniciou o julgamento do pedido de libertação do empresário Wellington Mazini, detido por se passar pelo médico Enrico Di Vaio em um hospital no início do ano. A defesa recorreu após a negativa de um habeas corpus. O caso está sob análise de uma turma de desembargadores em uma sessão virtual. O verdadeiro médico faleceu em fevereiro.

O empresário utilizou a identificação profissional de Enrico, seu parceiro em uma clínica em São Paulo, para realizar exames em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) no Centro de Cananéia, no começo de fevereiro. Mazini alegou que agiu a mando do médico e receberia R$ 1,5 mil pelo serviço.

A fraude foi descoberta quando o falso médico afirmou ter visto a vesícula de uma paciente que na verdade não possuía o órgão. Mazini teve um pedido de soltura negado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), que considerou que sua liberdade representava um risco para a sociedade.

A decisão, entretanto, foi tomada de forma monocrática pela desembargadora Márcia Monassi. Por esse motivo, o advogado Celino Barbosa Netto entrou com um recurso criminal interno solicitando o julgamento por uma turma de desembargadores.

Além de Márcia, relatora do processo, os desembargadores Freddy Lourenço Ruiz Costa e Luiz Antonio Cardoso participam do julgamento. Os magistrados devem publicar a decisão em até seis dias úteis do início do julgamento, que teve início na quinta-feira (5).

No recurso solicitado pelo advogado, a defesa de Wellington pede a substituição da prisão preventiva do suspeito por medidas cautelares. Eles destacam que o empresário é réu primário, sem antecedentes, e que está sofrendo constrangimento ilegal pela prisão.

Barbosa Netto ressaltou que a decisão que negou o Habeas Corpus foi genérica. Ele enfatizou que a libertação do suspeito representava um risco à ordem pública, devido à gravidade do crime.

A defesa ainda afirmou que Wellington não teria como atrapalhar a investigação, uma vez que já confessou os atendimentos e todos os itens em sua posse foram apreendidos.

“No caso de Wellington, é plenamente viável assegurar o prosseguimento do processo e resguardar eventuais riscos por meio de condições menos drásticas. O paciente se dispõe a acatar rigorosamente as imposições que forem fixadas”, disse o advogado.

Cinco mulheres atendidas por Mazini entraram com processos pedindo indenização de R$ 250 mil — R$ 50 mil para cada uma. Elas solicitam reparação por danos morais após terem sido submetidas a exames de ultrassom transvaginal com o suposto profissional.

Na petição enviada à Justiça, consta que o suspeito realizou exames de ultrassom transvaginal nas vítimas. O advogado destacou que a situação representou “extrema exposição e vulnerabilidade”, uma vez que as mulheres tiveram sua privacidade violada indevidamente.

O advogado ainda apontou a falta de fiscalização por parte da empresa gestora e do município. A ação foi protocolada de forma solidária, o que significa que qualquer um dos réus pode arcar com o valor total e depois buscar reembolso da sua parte.

“A exposição indevida de seus corpos em um contexto médico, mediante fraude, resultou em intenso constrangimento e sofrimento psíquico”, destacou Almeida.

Ao g1, o advogado Celino Barbosa Netto, que representa Mazini, afirmou que a defesa ainda não foi informada sobre as ações. “Meu cliente ainda não foi citado na esfera criminal e os fatos descritos nas ações cíveis dependem da decisão da ação penal”, disse ele.

Conforme apurado pelo g1, Mazini já enfrentava acusações semelhantes quatro meses antes, em Santo Amaro, na Grande São Paulo. Em setembro de 2025, um empresário denunciou ele e familiares por associação criminosa, estelionato, falsidade ideológica e apropriação indébita.

Na denúncia, o denunciante alegou que Mazini se passou pelo mesmo médico cujo CRM foi utilizado em Cananéia, realizando pelo menos dez atendimentos na região. Os procedimentos incluíam ultrassonografias de próstata, vias urinárias e abdômen total.

O documento ressaltou que a conduta colocou em risco a saúde de diversos pacientes, submetidos a exames por um profissional não habilitado. O Ministério Público e a Polícia Civil foram acionados, mas não houve retorno sobre o andamento das investigações.

O Ministério Público denunciou Mazini por estelionato, exercício ilegal da medicina, falsidade material e perigo para a vida, com penas que podem chegar a 13 anos. A defesa argumentou que a acusação é “inflada” e juridicamente controversa, destacando que o processo ainda está em fase inicial e que os fatos serão analisados pelo Judiciário.

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