Aliados de Flávio Bolsoanro apostam em união no 2º turno com Ronaldo Caiado
Aliados de Flávio Bolsoanro buscam união no 2º turno com Ronaldo Caiado
Aliados de Flávio Bolsonaro (PL), incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), veem na possível fragmentação das candidaturas de oposição a Lula (PT) uma oportunidade para conquistar apoios no segundo turno da eleição presidencial. Enquanto isso, os petistas avaliam o cenário após a filiação de Ronaldo Caiado ao PSD, mas consideram favorável a divisão no campo da direita.
O PSD liderado por Gilberto Kassab busca enfraquecer a candidatura de Flávio ao confirmar que terá um postulante próprio na disputa pela Presidência. Além do governador de Goiás, a legenda conta com outros dois potenciais presidenciáveis, os governadores Ratinho Jr. (PR) e Eduardo Leite (RS).
De acordo com membros da alta cúpula do PT, é necessário analisar o impacto da entrada do PSD na disputa. No entanto, inicialmente, o partido considera que a diversidade de candidaturas de direita no primeiro turno permite explorar divergências entre os concorrentes. A perspectiva é que, caso Caiado ou outro conservador não queira ser figurante, inevitavelmente entrará em conflito com Flávio por disputarem o mesmo eleitorado.
Segundo fontes do PSD, o partido está determinado a ingressar de forma significativa na corrida presidencial. A intenção é angariar o apoio de mais legendas do centrão, o que dificultaria para Flávio formar uma ampla coalizão contra Lula.
Após uma visita a Bolsonaro na Papuda, nesta quinta-feira (29), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que o ex-presidente endossou a filiação de Caiado ao PSD para a disputa eleitoral.
“O [ex-]presidente acredita que é uma candidatura que se alinha com esse projeto e, no final, todos estarão juntos contra o PT, sem dúvidas. Ele também vê com otimismo, considerou um movimento acertado e ficou satisfeito”, declarou o governador.
Conforme relato de Tarcísio, Bolsonaro não enxerga problemas em ter mais de um representante da direita na eleição, pois a tendência é de soma e de formação de uma “grande força” ao final.
O chefe do escritório do Governo de São Paulo em Brasília, Vicente Santini, observa que Kassab está levando o PSD para o espectro da direita. “Com certeza Caiado não se aliará a Lula no segundo turno, o que garante apoio a Flávio”, afirmou à reportagem o assessor de Tarcísio, que possui proximidade com os filhos de Bolsonaro.
Integrantes do PSD mencionam que a filiação de Caiado era necessária, pois Ratinho poderia desistir da corrida presidencial e a viabilidade eleitoral de Leite é questionável. O acordo prevê que Kassab decida qual dos três será o candidato até abril e que os preteridos apoiem o escolhido.
Para os partidos do centrão, resignados com a não candidatura de Tarcísio à Presidência, o apoio a um candidato do PSD tornou-se uma alternativa, além da possibilidade de optar pela neutralidade entre Lula e Flávio.
Isso permitiria que essas legendas evitassem se comprometer com Lula ou Flávio em estados com tendências petistas ou bolsonaristas. Assim, poderiam concentrar esforços na eleição de deputados e senadores, fator crucial para a definição dos fundos partidário e eleitoral.
Estratégia
O principal objetivo de Kassab é fortalecer sua presença no Congresso Nacional, já que uma candidatura própria poderia impulsionar a eleição de parlamentares. Além disso, ao lançar um candidato, o PSD evita tomar posição e pode negociar um eventual apoio a Lula ou Flávio somente no segundo turno.
Dirigentes do PSD afirmam que é viável construir palanques regionais com figuras fora da polarização. Em Santa Catarina, o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), deverá ser lançado, rompendo com o governador Jorginho Mello (PL).
No estado, o PSD busca atrair o MDB e o PP. Ambos os partidos tiveram sua influência reduzida na coligação liderada por Jorginho, visando dar mais destaque aos bolsonaristas na chapa do governador.
Na Bahia, uma aliança com o PSD poderia oferecer um ambiente favorável para que o secretário-nacional do União Brasil, ACM Neto, enfrente o PT sem a associação direta ao sobrenome de Bolsonaro.
No estado, onde historicamente Lula obtém expressiva votação, o PSD integra a aliança com o PT, recusando aderir a outra candidatura. Já no Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes, do PSD, terá que decidir se abrirá seu palanque para Lula ou para um candidato de seu próprio partido.
A cúpula do PSD decidiu lançar uma candidatura própria em um jantar que reuniu nesta semana, na residência de Kassab, os três possíveis presidenciáveis. A filiação de Caiado, que deixou o União Brasil, já vinha sendo discutida e foi oficializada na noite de terça-feira (29).
Também estiveram presentes no jantar os ex-senadores Jorge Bornhausen (SC) e Heráclito Fortes (PI), além dos ex-ministros Guilherme Afif e Andrea Matarazzo (SP).


