Após morte de mulher pelo ICE, grupo armado ligado aos Panteras Negras aparece nos EUA
Integrantes do Partido dos Panteras Negras para Autodefesa, incluindo Paul Birdsong (à dir.), marcham em protesto nos EUA
O assassinato de Renee Nicole Good, morta a tiros por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) em Minneapolis, provocou uma nova onda de protestos nos EUA e reacendeu temores sobre violência de estado.
Integrantes de um grupo que se identifica como Black Panther Party for Self-Defense (Partido dos Panteras Negras para Autodefesa) passaram a atuar de forma mais visível na Filadélfia, incluindo com presença armada em manifestações públicas.
Na última semana, membros participaram de um protesto contra o ICE em frente à prefeitura da Filadélfia, portando armas militares. Eles afirmam ter respaldo legal para portar armamento e dizem que sua atuação é uma resposta direta ao que consideram violência promovida pelo governo Donald Trump e pelo aumento da presença de agentes federais em cidades americanas.
Segundo o grupo, trata-se de uma retomada do Partido dos Panteras Negras original, movimento criado nos anos 1960, e alguns de seus integrantes receberam orientação de integrantes históricos ainda vivos. Um dos líderes é Paul Birdsong, de 39 anos, que se apresenta como presidente nacional da organização. Ele afirma que a presença armada visa proteger manifestantes e comunidades negras.
Birdsong esteve no protesto um dia depois de o agente do ICE Jonathan Ross ter matado Renee Good, de 37 anos. “Isso não teria acontecido se estivéssemos lá. Ninguém teria sido tocado”, afirmou. O governo Trump defendeu rapidamente o agente, com o vice-presidente JD Vance alegando que Ross teria “imunidade absoluta” e estava apenas “fazendo seu trabalho”. Autoridades de Minnesota, no entanto, pediram investigação sobre o caso.
The Black Panthers are back and claim they’re on “ICE Patrol” on the streets of North East Philadelphia. pic.twitter.com/ataH0TtsXm
— Liberacrat (@ViralVideos) January 17, 2026
Birdsong diz que os Panteras Negros da Filadélfia organizam, há anos, distribuições semanais de alimentos gratuitos no norte da cidade. Na última sexta-feira, montaram um ponto de apoio em frente a uma igreja, oferecendo frutas, verduras, pão, enlatados, itens de higiene, roupas infantis e sopa à comunidade local.
De acordo com Birdsong, os recursos vêm de contribuições dos próprios membros e de doações de moradores. O grupo afirma ter menos de 100 integrantes na cidade e recentemente passou a ocupar um imóvel que, segundo Birdsong, já teria sido sede de uma filial original dos Panteras Negras.
O Partido dos Panteras Negras original foi fundado em 1966 por Bobby Seale e Huey P. Newton, em Oakland, Califórnia, com foco no combate à brutalidade policial e na promoção de programas sociais voltados a comunidades negras, como alimentação, saúde e educação.
Foi alvo de repressão do FBI sob o comando de J. Edgar Hoover, que buscou “desacreditar, desarticular e destruir” organizações de direitos civis. Casos emblemáticos incluem a morte de Fred Hampton e Mark Clark, em Chicago, durante uma operação policial.
Especialistas em direitos civis e defensores da democracia costumam argumentar que a não violência é fundamental para protestos eficazes e que armas tendem a aumentar o risco de confrontos. A legislação da Pensilvânia permite o porte ostensivo de armas, mas na Filadélfia — classificada como “cidade de primeira classe” — é obrigatória licença específica para porte, segundo advogados especializados.
Do yourself a favor and join the local chapter of the Black Panthers: pic.twitter.com/E3qxBFvQch
— Fred (@uncleFredsTweet) January 13, 2026
Birdsong rebate as críticas. “Nós nos sentimos seguros aqui. Não há polícia nem traficantes nos ameaçando”, afirmou. Durante a distribuição de alimentos, enquanto alguns membros serviam sopa a crianças e moradores, outros faziam a segurança do local portando fuzis e armas semiautomáticas.



