Arquiteta morta pelo ex-namorado enfrentou ameaças, agressões e facadas: 'Ciúme doentio’, diz mãe da vítima
Arquiteta morta pelo ex-namorado sofreu ameaças, agressões e oito facadas: ‘Ciúme doentio’, revela mãe da vítima
Polícia encontra corpo da arquiteta de Serra Negra desaparecida por três meses.
A arquiteta Fernanda Silveira de Andrade, de 29 anos, foi assassinada a tiros pelo ex-namorado em São Paulo (SP) após vivenciar um relacionamento conturbado marcado por violência e ameaças desde o seu início, em 2023.
De acordo com Neusa Aparecida, de 56 anos, sua filha encontrou em Euhanan dos Santos Barbosa, de 25 anos, um parceiro controlador e extremamente ciumento, caracterizado por um ciúme considerado “doentio”. Ele foi preso e confessou o feminicídio.
A mãe relata que Fernanda conheceu Euhanan enquanto trabalhava em um hotel em Águas de Lindoia (SP), já atuando como arquiteta, e ele como funcionário de uma empreiteira de São Paulo.
“Esse indivíduo era excessivamente ciumento, quase um psicopata. Ele começou a demonstrar um ciúme doentio. Ela perdeu o emprego, mudou-se para São Paulo com ele. Foi no final de 2023 e início de 2024 que a situação se tornou mais abusiva, com ele controlando sua vida, mantendo-a aprisionada, afastada de nós”, recorda Neusa.
Neusa relata que em 2024, durante uma tentativa de fuga de Fernanda para visitar seus pais no interior de São Paulo, Euhanan a levou de volta para São Paulo e a agrediu fisicamente.
No mesmo ano, a arquiteta procurou a Polícia Civil para registrar um boletim de ocorrência após ser agredida com socos, chutes e golpes de capacete na cabeça.
No documento assinado em 23 de junho de 2024, Fernanda relatou ter sido agredida várias vezes e que as ameaças de morte eram constantes. Segundo seu depoimento, ela não conseguia se separar de Euhanan devido ao medo dessas ameaças.
“Houve agressões, registro policial, medidas de proteção. Ela retornou para cá e ele a convenceu a retirar a queixa. Ela queria ficar aqui, mas ele não permitia. Finalmente, em 2025, ele a esfaqueou, desferindo oito golpes que atingiram o baço, intestino e pulmão, deixando-a à beira da morte”, detalha Neusa.
A confirmação da morte de Fernanda, após três meses de angústia desde seu desaparecimento, abalou profundamente a família. Neusa afirma que a arquiteta tinha muitos planos, incluindo a construção de uma casa para seus pais no interior de São Paulo.
“Ela tinha muitos sonhos, desejava construir uma casa para nós, que atualmente vivemos de aluguel. Meu marido está doente e ela ajudava a cuidar dele. Nossa vida seguia em paz, mesmo com as dificuldades da pobreza. Até que ela conheceu esse indivíduo inescrupuloso”, lamenta Neusa.
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Euhanan dos Santos Barbosa, de 25 anos, foi detido e admitiu ter assassinado a ex-namorada em São Paulo.
A advogada criminalista Erika Chioca Furlan destaca a importância de uma rede de proteção para mulheres vítimas de violência.
Em situações em que a vítima enfrenta dificuldades para denunciar e relatar a violência às autoridades, é essencial que pessoas próximas e cientes da situação façam a denúncia em seu lugar.
“Se a informação não chega aos responsáveis, nenhuma providência pode ser tomada. Por isso, é crucial que a rede de proteção esteja informada sobre o ocorrido, pois alguém pode denunciar em nome da vítima”, explica Erika.
Doutoranda em ciências sociais pela Unicamp, professora de direito processual penal e ex-delegada de polícia do estado de São Paulo, Erika ressalta que, embora muitas ações das autoridades ainda dependam do testemunho da vítima, existem leis que reforçam a importância de um olhar mais amplo sobre a situação.
“A Lei 17.406/2021 em São Paulo, que obriga síndicos a relatarem casos de violência doméstica, é uma tentativa de ampliar o foco para além da vítima”, destaca.
O corpo de Fernanda foi localizado após a prisão de Euhanan no sábado. Ele foi abordado pela polícia enquanto caminhava pela rua, confessou o crime e indicou o local onde o corpo estava.
Euhanan passou por audiência de custódia no domingo (25), quando a prisão foi confirmada. Na audiência, ele foi representado pela Defensoria Pública. O G1 está tentando contatar sua defesa.
Fernanda Silveira de Andrade, 29 anos, estava desaparecida desde outubro de 2025.
Veja mais notícias sobre a região no G1 Campinas.

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