BC detalha fraudes no Master e na REAG com cumplicidade do BRB em ofícios ao TCU e MPF
BC detalha irregularidades no Banco Master e na REAG com envolvimento do BRB em comunicados ao TCU e MPF
Em 21 de dezembro de 2023, a área técnica do Banco Central já suspeitava de problemas na gestão do Banco Master. Sob a presidência de Daniel Vorcaro, a instituição começava a apresentar sinais de insuficiência de recursos para cumprir obrigações e dificuldades na captação de recursos. Durante o primeiro semestre de 2024, o BC monitorou de perto o “risco de liquidez” do Master devido ao baixo volume de ativos líquidos e à saída contínua de recursos do caixa.
No segundo semestre do mesmo ano, ainda sob a gestão de Roberto Campos Neto, o Banco Central poderia ter adotado uma postura mais rigorosa em relação ao Master de Vorcaro, ao constatar uma captação frustrada de R$ 15 bilhões, com prazo de 10 anos, dos quais apenas R$ 2 bilhões foram efetivamente recebidos.
Essas informações constam em comunicados enviados ao Tribunal de Contas da União e ao Ministério Público Federal. Eles serão utilizados para embasar o parecer do ministro Jonathan de Jesus, do TCU, apresentado ao plenário do tribunal, bem como para orientar os interrogatórios que a Polícia Federal e os procuradores da República realizarão com ex-diretores e ex-sócios do Master nos primeiros dias da próxima semana.
INVESTIGAÇÃO SOBRE EX-PRESIDENTES DO BC
De forma clara e cronologicamente organizada, a área técnica do Banco Central analisa as fraudes cometidas em operações envolvendo o Master, a distribuidora REAG e o Banco Regional de Brasília (BRB).
No último domingo, dois ex-presidentes do BC, Armínio Fraga e Gustavo Franco, criticaram, de maneira genérica, em artigos nos jornais Folha de S. Paulo e O Globo, a demora do Banco Central em agir diante das fraudes identificadas no conglomerado do Master. Os documentos de diversas diretorias técnicas da autoridade monetária nacional revelam que, em 2025 (o Banco Master foi liquidado em 18 de dezembro do ano anterior), o BC teve que arcar com compromissos firmados em 2024, durante a gestão anterior da instituição, até que ficasse evidente que o Master não conseguiria conter a saída de recursos. Além disso, apontam que o sistema complexo de trocas de empréstimos e fundos com a REAG era fraudulento, e a promessa de aporte de capital do BRB no banco de Vorcaro estava baseada em títulos sem valor do extinto Banco do Estado de Santa Catarina.
Entre 8 de abril e 8 de agosto de 2025, o Master operou no vermelho diariamente, necessitando de empréstimos do Banco Central que variavam de R$ 500 milhões a R$ 2,6 bilhões para cobrir as despesas. Desde 2 de setembro do ano anterior, a necessidade diária de capital emprestado pelo BC nunca ficou abaixo de R$ 2,5 bilhões. Não houve devolução desses empréstimos até a liquidação do Master em 18 de dezembro passado, bem como da REAG em 15 de janeiro deste ano. O Will Bank, parte do “conglomerado prudencial Master”, foi tratado de forma distinta pela auditoria do Banco Central por parecer ter mais solidez em suas operações, mas acabou sendo liquidado na semana passada, contando com 4,3 milhões de correntistas e quase 2.200 funcionários.
Os comunicados evidenciam que o equilíbrio financeiro do Master foi comprometido devido a uma “crise aguda de liquidez”, que revelou falhas na gestão de riscos de crédito. O banco de Vorcaro deixou de recolher depósitos compulsórios e de honrar obrigações de curto prazo. Os documentos afirmam que tais irregularidades por si só justificariam a imposição de um Regime Especial à instituição, mas foram agravadas por “diversos atos ilícitos”.
SOLIDARIEDADE A AILTON AQUINO
Em abril de 2025, o Banco Central determinou que o Master encerrasse a oferta de investimentos em Certificado de Depósito Bancário (CDB) com retorno de 140% do CDI. Esse produto era o principal da linha financeira do Master, responsável pela maior parte de sua captação. Como resultado, entre maio e outubro de 2025, mesmo após receber um empréstimo de R$ 4,3 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito para lidar com resgates dos CDBs inflados, o Master conseguiu captar apenas R$ 90 milhões. Isso evidenciava um cenário alarmante de déficit nas contas e iminente risco de falência.
Os documentos enviados ao TCU e ao MPF não aliviam, mas sim complicam a situação, ao revelar o evidente conluio entre os gestores do Master, da REAG DTVM e do Banco Regional de Brasília. O BRB tem como controlador final o governo do Distrito Federal. Durante o período investigado, o presidente do BRB era Paulo Henrique Costa, funcionário de carreira da Caixa Econômica Federal. Em 28 de março de 2025, o BRB manifestou interesse em adquirir o Master e comprometeu-se a aportar até R$ 12,2 bilhões na instituição. Após o anúncio, devido à desconfiança generalizada em relação à operação de compra de um banco privado por uma entidade pública, os títulos utilizados para aumentar o capital do Master sofreram deságio significativo, chegando a valores quase nulos em alguns casos.
Por fim, os comunicados reforçam que todas as decisões que levaram à liquidação do Master e posteriormente da REAG e do Will Bank foram tomadas de forma unânime pela diretoria do Banco Central. Deixa-se claro que, em 17 de dezembro de 2025, durante uma reunião com a Diretoria de Fiscalização, Vorcaro informou informalmente que viajaria a Dubai no dia seguinte, quando acabou sendo preso e o Master foi liquidado. Há uma clara demonstração de apoio coletivo a Aílton Aquino, diretor de Fiscalização do BC, que foi alvo de tentativas da defesa de Vorcaro de questionar sua integridade, insinuando uma suposta colaboração com a gestão fraudulenta da instituição privada.
Fonte: Créditos


