×

Brasil precisa de juros altos para meta da inflação?

Brasil precisa de juros altos para meta da inflação?

Brasil precisa de juros altos para meta da inflação?

Brasil precisa de taxas elevadas para atingir meta de inflação?

O líder do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira, 11, que a meta de inflação de 3% no Brasil está em harmonia com a de outros países. No entanto, destacou a necessidade de discutir a razão pela qual o país demanda taxas de juros tão altas para alcançar esse objetivo.

“O ponto que realmente precisa ser debatido com a sociedade é por que o Brasil necessita manter taxas de juros mais elevadas do que seus pares para, com grande esforço, se aproximar mais da meta. Creio que este é o cerne da questão.”

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central

Ele participou da Conferência CEO Brasil 2026, promovida pelo BTG Pactual em São Paulo.

Galípolo reiterou que a palavra-chave da política monetária no momento é “calibragem”. “A partir de janeiro, decidimos sinalizar que, se o cenário se confirmar, iniciaremos esse processo de ajuste. Destaco que a palavra-chave é essa: calibragem. Esse ajuste na política monetária a partir de março visa fortalecer a confiança para dar início a esse ciclo”, afirmou.

Ele ressaltou que, devido à incerteza atual nas projeções, o Comitê de Política Monetária (Copom) optou por adotar uma postura mais conservadora e “aguardar 45 dias para confirmar o ciclo com maior convicção”.

Incertezas e variáveis consideradas

O presidente do BC ponderou que o objetivo da instituição não é reduzir a incerteza, mas é positivo que o Banco Central contribua para ser uma fonte de redução da incerteza no mercado. Destacou que o comitê está analisando diversas variáveis, não se limitando a uma informação específica.

Nesse contexto, Galípolo explicou que, além da incerteza relacionada ao cenário geopolítico global e às mudanças na política econômica dos EUA, o ano eleitoral no Brasil também é fonte de incerteza. Além disso, mencionou que o comportamento das variáveis econômicas é outra fonte de incerteza.

O executivo também enfatizou que suas declarações recentes não têm a intenção de corrigir a interpretação do mercado sobre a condução da política monetária.

“Se alguém interpretar minhas palavras como uma correção na comunicação, fui eu quem me expressou mal ou alguém que interpretou erroneamente o que eu quis dizer.”

Caso Master e reconhecimento

No evento, Galípolo foi aplaudido após agradecer às instituições do mercado pelo apoio ao Banco Central em dois momentos do ano passado. Entre eles, a liquidação do Banco Master, cujas repercussões continuam até hoje, e os incidentes de segurança que afetaram instituições do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

“Preciso agradecer a todos nesta sala e às instituições que estiveram ao lado do BC”, disse o executivo no início do discurso, seguido por uma salva de palmas. “Não posso enfatizar o suficiente a importância do apoio que recebemos do mercado nestes dois casos, da opinião pública e do jornalismo profissional.”

A autoridade monetária enfrentou pressões após a liquidação do Banco Master em 18 de novembro de 2025. Um dos momentos críticos foi a abertura de uma investigação pelo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jhonatan de Jesus, que chegou a considerar a possibilidade de adotar medidas cautelares contra o banco.

Durante esse processo, entidades do mercado financeiro manifestaram apoio ao BC. Em uma ocasião, 11 dessas entidades, incluindo a Confederação Nacional das Instituições Financeiras (Fin), a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a Zetta, afirmaram ter “plena confiança” na autoridade monetária.

Segurança no sistema financeiro e regulação

Galípolo ressaltou que o apoio das instituições foi fundamental para o BC ajustar a regulação após os incidentes de segurança que atingiram instituições do SFN no ano passado.

O incidente mais notório foi o desvio de mais de R$ 800 milhões da CM Software. Ele alertou que é necessário um esforço regulatório contínuo em todos os casos.

“Quero deixar claro que não podemos garantir que não ocorrerá outra liquidação de banco ou incidente semelhante, mas isso é como uma partida de gato e rato: fecha-se uma porta, e ele tenta outra saída. Precisamos nos aprimorar constantemente para evitar repetições de erros”, afirmou.

Por fim, ele reiterou que o BC realizou diversas modificações nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para estabelecer limites, e destacou que esse processo de aprimoramento está em andamento.

Créditos