×

Cientistas descobrem vidro raro gerado com a queda de meteorito no Brasil há 6 milhões de anos

Cientistas descobrem vidro raro gerado com a queda de meteorito no Brasil há 6 milhões de anos

Cientistas descobrem vidro raro gerado com a queda de meteorito no Brasil há 6 milhões de anos

Cientistas identificam vidro raro originado por impacto de meteorito no Brasil há 6 milhões de anos

Um grupo de cientistas detectou, pela primeira vez no Brasil, um tipo incomum de vidro originado do impacto de um meteorito ocorrido há 6,3 milhões de anos. Segundo os pesquisadores, a descoberta desses tectitos no território nacional contribui para a compreensão da história das colisões cósmicas na Terra.

Tectitos são fragmentos de vidro natural formados a partir do choque de corpos extraterrestres contra a superfície terrestre. A energia gerada pelo impacto é tão intensa que derrete e funde as rochas ricas em sílica, as quais são lançadas na atmosfera e resfriam rapidamente, originando esse tipo de material.

“Tectito é um material bastante raro, com poucas ocorrências no mundo, sendo esta a sétima registrada. Esse material é lançado na atmosfera e se espalha por grandes áreas, embora os eventos que formam cada uma dessas áreas sejam escassos. Portanto, possui um grande interesse científico”, afirma Álvaro Crostra, professor do Instituto de Geociências da Unicamp, especialista no estudo de estruturas resultantes de impactos de meteoritos desde os anos 1970.

Os exemplares de tectitos encontrados em Minas Gerais foram nomeados de “geraisitos”, em homenagem aos primeiros exemplares descobertos em Taiobeiras, Curral de Dentro e São João do Paraíso, municípios no norte de Minas Gerais. Mais de 600 exemplares foram catalogados nos estados de Minas Gerais, Bahia e Piauí, em uma extensão de cerca de 900 quilômetros.

Para confirmar a origem do material, foram realizadas análises químicas, isotópicas e geocronológicas de alta precisão, revelando que a colisão cósmica ocorreu há 6,3 milhões de anos.

O estudo, publicado na revista científica Geology em dezembro de 2025, contou com a participação de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Universidade de São Paulo (USP) e de instituições internacionais. Os cientistas continuam em busca de mais informações, especialmente para desvendar a questão em aberto: “onde está a cratera?”.

As amostras de geraisitos, após exames detalhados em laboratórios do Brasil, França, Áustria e Austrália, revelaram ser ricas em sílica, com baixo teor de água e inclusões de lechatelierita, um tipo de vidro quase puro de sílica característico de eventos de impacto meteorítico. As datações com isótopos de argônio indicam que o evento ocorreu há aproximadamente 6,3 milhões de anos.

Os estudos continuarão na Unicamp e na USP, com foco em comparar os tectitos brasileiros com outros campos para localizar a cratera, analisar as microestruturas no acelerador de partículas Sirius em Campinas e expandir a pesquisa ao Sítio Arqueológico da Serra da Capivara para investigar o uso dos tectitos por povos nativos do Brasil.

Essa descoberta não apenas coloca o Brasil no cenário global dos tectitos, mas também abre novas perspectivas de pesquisa sobre a história geológica do território e eventos extremos que moldaram a crosta terrestre.

Créditos