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Colheita do arroz tem início em meio a risco sobre preços nas negociações

Colheita do arroz tem início em meio a risco sobre preços nas negociações

Colheita do arroz tem início em meio a risco sobre preços nas negociações

O início da colheita do arroz tem lugar – tradicionalmente – em Capão do Leão (RS), a partir de terça-feira, 24 de fevereiro. O Rio Grande do Sul é o principal produtor nacional deste cereal. Neste momento, produtores e membros da cadeia produtiva do arroz se reúnem para debater medidas de proteção ao setor, que enfrenta desafios devido aos altos estoques globais e preços internos menos atrativos.

Neste ano, a 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz também destaca outras demandas dos produtores, como a defesa da competitividade nacional em relação ao mercado global, a redução de tarifas, o estímulo às exportações e a diminuição da área plantada para controlar os preços, que atualmente estão prejudicando as negociações do cereal. O setor ainda sofre com endividamento e altas taxas de juros, levando a pedidos de prorrogação de dívidas, enquanto as margens de lucro permanecem apertadas.

Com custos de produção mais elevados e faturamento menor, as projeções de colheita também se reduzem. De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra de arroz em 2025/26 deve alcançar aproximadamente 11 milhões de toneladas, uma queda de 14% em relação ao ciclo anterior. A área de plantio também deverá diminuir em 11%.

Estoques globais

Mesmo com uma produtividade menor, a perspectiva de aumento nos estoques globais de arroz, como nos casos do Mercosul e Índia, preocupa os produtores nacionais, que enfrentam preços abaixo do custo de produção empregado na safra.

Segundo informações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção global de arroz é esperada em 541,16 milhões de toneladas, com exportações globais estimadas em 62,8 milhões de toneladas de arroz beneficiado, um aumento de 5,2% em relação ao ciclo anterior.

Esse cenário favorece as importações de arroz e as exportações por parte dos produtores nacionais, que, ameaçados por mercados como o Paraguai, deixam de direcionar volumes a clientes importantes, como São Paulo e Minas Gerais, conforme comunicado oficial do setor.

A baixa liquidez nas negociações da saca de 50kg, cotada a R$ 55,26 em 20 de fevereiro pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), encontra na feira uma oportunidade, segundo entidades do setor, para manifestações em prol de medidas de proteção para a cadeia nacional do arroz.

Abertura da colheita

A 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz é promovida pela Federação das Associações de Arrozeiros do RS (Federarroz) e tem como sede a Estação Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado. Com o tema “Cenário Atual e Perspectivas – Conectando o Campo ao Mercado”, a feira espera receber mais de 21 mil visitantes, com 230 expositores, apresentações de tecnologias, e painéis expositivos sobre inovações para o campo.

Entre os expositores presentes, a Basf Soluções para Agricultura destaca um conjunto de inovações para o manejo dos arrozais com o lançamento do fungicida Kilymos, desenvolvido para o controle de doenças do arroz e que contém o novo ingrediente ativo Revysol. O objetivo da empresa é ampliar o controle de doenças em outros cultivos, como soja e milho.

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