×

Como a guerra no Oriente Médio afeta a sua conta de gás?

Como a guerra no Oriente Médio afeta a sua conta de gás?

Como a guerra no Oriente Médio afeta a sua conta de gás?

DESENVOLVIMENTO DE PREÇOS A guerra no Oriente Médio traz preocupações sobre um possível aumento nos preços do gás natural, porém o Brasil encontra-se menos exposto do que na crise de 2021-22.

Cosan solicita o IPO da Compass. PetroReconcavo experimenta importação da Bolívia. Braskem introduz biometano no RS e mais. Confira:

Ainda não é assinante? Inscreva-se aqui

APRESENTADO POR:

A intensificação da guerra no Oriente Médio impactou o mercado global de gás natural liquefeito (GNL).

Além das questões humanitárias envolvidas em conflitos armados (com mais de mil mortes de civis confirmadas apenas no Irã), o conflito tem impactos diretos na dinâmica do mercado de gás:

Com o fechamento do Estreito de Ormuz (por onde passa 20% do comércio global de GNL) e os ataques iranianos às instalações do Catar, os preços internacionais aumentaram na última semana. (entenda)

A recente crise do GNL, em 2021/2022, ainda está fresca na memória. E há o receio de que, assim como naquela ocasião, os picos de preços globais possam novamente afetar o mercado brasileiro.

No entanto, qual a probabilidade de vermos aumentos de 40% nos preços internos do gás, como a Petrobras fez entre 2021 e 2022?

No webinar especial da gas week, organizado pelo estúdio eixos em 4 de março para discutir os impactos da Guerra no Oriente Médio no mercado de gás, analisamos com especialistas como os contextos se diferenciam e como o Brasil está menos suscetível desta vez. Assista à sessão completa!

O mercado interno, no entanto, não está isolado do cenário global de preços e, a seguir, a gas week aprofunda a análise sobre como a nova guerra pode influenciar o mercado brasileiro.

A intensificação da guerra no Oriente Médio mexeu com o mercado global de gás natural liquefeito (GNL).

Além das questões humanitárias envolvidas em conflitos armados (com mais de mil mortes de civis confirmadas apenas no Irã), o conflito tem impactos diretos na dinâmica do mercado de gás:

Com o fechamento do Estreito de Ormuz (por onde passa 20% do comércio global de GNL) e os ataques iranianos às instalações do Catar, os preços internacionais aumentaram na última semana. (entenda)

A recente crise do GNL, em 2021/2022, ainda está fresca na memória. E há o receio de que, assim como naquela ocasião, os picos de preços globais possam novamente afetar o mercado brasileiro.

No entanto, qual a probabilidade de vermos aumentos de 40% nos preços internos do gás, como a Petrobras fez entre 2021 e 2022?

No webinar especial da gas week, organizado pelo estúdio eixos em 4 de março para discutir os impactos da Guerra no Oriente Médio no mercado de gás, analisamos com especialistas como os contextos se diferenciam e como o Brasil está menos suscetível desta vez. Assista à sessão completa!

O mercado interno, no entanto, não está isolado do cenário global de preços e, a seguir, a gas week aprofunda a análise sobre como a nova guerra pode influenciar o mercado brasileiro.

O Brasil depende fortemente das importações flexíveis de GNL, principalmente para abastecer as termelétricas, o que o torna suscetível à dinâmica do mercado global da commodity.

Um exemplo disso foi visto em 2022, quando uma série de eventos desencadeou uma crise sem precedentes no mercado de GNL.

  • uma crise que teve início em 2021 na Europa, decorrente da recuperação da demanda pós-pandemia, baixos estoques no inverno e desafios na geração de energias renováveis;
  • e que se agravou em 2022 com o início da guerra na Ucrânia e a interrupção do suprimento da Rússia.

Nessa ocasião, ainda no início da abertura do mercado brasileiro, a Petrobras aumentou em 40% – de 12% para 16,75% – o índice do Brent com o qual o preço do gás é indexado nos contratos com as distribuidoras.

O aumento foi justificado na época pelo impacto do aumento dos custos da empresa com a importação de GNL – em meio à crise hídrica de 2021 no Brasil e à inflação do gás no mercado internacional.

Esse posicionamento da Petrobras resultou em disputas judiciais com um grupo de distribuidoras.

Analistas do setor acreditam que houve mudanças significativas desde a última grande crise, com mais concorrentes atuando no mercado brasileiro. O sócio-diretor da A&M Infra, Rivaldo Moreira Neto, destaca que mais de um terço do mercado brasileiro foi conquistado por concorrentes da Petrobras.

E a entrada desses concorrentes, segundo ele, pode suavizar movimentos bruscos do agente dominante.

“Estamos em um cenário incerto em relação ao futuro. Mas observamos uma rápida readequação das condições desde a última grande crise. Agora, temos mais players atuando nesse mercado”, ressaltou durante a transmissão da gas week.

O gerente sênior de Pesquisa da Wood Mackenzie para a divisão de Gás e Energia do Cone Sul, Javier Toro, acrescentou que, além do aumento da concorrência, o Brasil enfrenta hoje uma mudança nos fundamentos de mercado com a expectativa de aumento da oferta de gás.

Ele menciona a conclusão do gasoduto Rota 3 em 2025, o início da produção de Raia em 2028 e a integração com a Argentina como fatores que criam alternativas ao GNL importado.

“Naquela época [2021/2022], a exposição e dependência do GNL eram muito maiores em comparação ao presente”, completou.

Os analistas ressaltam que até mesmo o mercado global está em um contexto diferente. O vice-presidente de Mercado de Gás para a América Latina da Rystad Energy, Vinícius Romano, observou que a expectativa atual é de que não ocorra um aumento tão drástico nos preços como no passado.

A magnitude das perdas dependerá da extensão dos danos à infraestrutura, ainda em avaliação, e da duração do fechamento do Estreito para o tráfego marítimo.

A Rystad estima que:

  • em um cenário de danos limitados ou inexistentes e cessação rápida das hostilidades, resultando em uma paralisação de 15 dias na produção de GNL em 2026 – equivalente a 3,3 milhões de toneladas;
  • uma interrupção mais prolongada poderia levar a uma perda de fornecimento de 5,6 milhões de toneladas;
  • enquanto uma interrupção total com duração de quatro a cinco semanas antes da reabertura do Estreito ao tráfego comercial resultaria em uma perda de 11,2 milhões de toneladas para todo o ano de 2026.

Parte dessas perdas poderia ser compensada por exportadores dos EUA e até mesmo da Rússia. A Rystad estima que, em um cenário pessimista, produtores oportunistas poderiam disponibilizar até 15 milhões de toneladas adicionais de GNL no mercado.

Além disso, do lado da demanda, espera-se uma combinação de contenção e, quando tecnicamente viável, substituição de combustíveis.

Romano faz uma analogia com 2022: naquele momento, a Europa absorveu o aumento dos custos de importação em prol da segurança energética. Dessa vez, a capacidade dos países asiáticos – maiores consumidores de GNL do Catar – de arcar com os aumentos de preços é menor do que a da Europa há alguns anos.

“Atualmente, parte da demanda na Ásia pode migrar para líquidos de petróleo, GLP, carvão, o que reduziria a demanda por GNL. E outra parte poderia ter uma redução devido ao aumento natural dos preços”, explicou.

As termelétricas brasileiras estão mais expostas à dinâmica dos preços internacionais do gás, pois possuem contratos de fornecimento indexados a índices como o JKM (referência do mercado asiático) e TTF (referência do mercado europeu).

No contexto da escalada do conflito:

  • o TTF teve um aumento de 67% na semana;
  • e o JKM teve uma valorização de 46,4%.

A situação final dependerá muito da hidrologia. Um aumento do uso de termelétricas em meio a uma crise global pode elevar os custos do setor elétrico, sem dúvida.

Embora a maior parte do GNL importado pelo Brasil venha dos EUA – e apenas uma pequena parcela do Oriente Médio – a conselheira sênior da FGV Energia e pesquisadora do Instituto Oxford de Estudos em Energia, Ieda Gomes, destaca que em cenários de restrições na oferta global, as termelétricas brasileiras precisam arcar com custos mais elevados para deslocar cargas da Europa e Ásia.

“O Brasil sempre foi, nesse contexto mundial, um tomador de preços. Assim, sempre pagamos o preço mais alto entre o JKM e o TTF para garantir suprimentos flexíveis para nossas usinas termelétricas”, explicou.

O novo aumento nos preços no mercado global de GNL acontece às vésperas do Leilão de Reserva de Capacidade de 18 de março, que contratará termelétricas existentes a gás natural e carvão mineral, além de novas usinas a gás e projetos de ampliação de hidrelétricas.

Para Rivaldo Moreira Neto, termelétricas que dependem exclusivamente de GNL terão sua matriz de riscos impactada pelo conflito no Oriente Médio, enquanto empresas com acesso a uma carteira de gás mais diversificada podem se beneficiar.

“A diversificação protege empresas como a Petrobras, que dependem menos [do suprimento internacional] para abastecer suas termelétricas. Elas podem ser menos afetadas pelo que está acontecendo no mundo, enquanto empresas que dependem totalmente do mercado externo podem enfrentar mudanças nas negociações nas próximas semanas, especialmente após o leilão”, afirmou.

Embora os agentes negociem suas fontes de suprimento antes do leilão e muitos dos participantes já tenham acordos prévios para aquisição de gás antes do conflito, é comum que apenas após o certame as partes realmente finalizem os termos dos acordos – e aí podem surgir desafios.

Lembra? Um exemplo concreto foi visto no LRCAP de 2021. Com a crise do gás em 2022, o projeto Portocem, da Ceiba Energy no Ceará, enfrentou dificuldades para se concretizar devido a negociações fracassadas para aquisição de gás da Shell e acabou sendo vendido posteriormente para a New Fortress Energy, que transferiu o projeto para Barcarena (PA)

IPO da Compass. Cosan solicita a oferta pública inicial de ações (IPO) de sua subsidiária Compass Gás e Energia no Brasil, que engloba os ativos de distribuição de gás canalizado e a Edge, a comercializadora de gás do grupo.

PetroReconcavo na Bolívia. A produtora iniciou os primeiros testes de importação de gás boliviano para abastecer a Copergás.

Shell na Venezuela. A gigante assinou contratos com o governo venezuelano envolvendo oportunidades para gás natural onshore e offshore. (Reuters)

LRCAP. O Instituto Arayara entrou com ação na Justiça Federal contra a participação de termelétricas a carvão no leilão de 18 de março. Alega que a inclusão das usinas a carvão no certame apresenta vício de motivação, desvio de finalidade e viola compromissos climáticos assumidos pelo Brasil.

Biometano na indústria. A Braskem iniciou o uso de biometano como substituto parcial do gás natural no Polo Petroquímico de Triunfo. O gás renovável será fornecido pela Ultragaz, a partir do aterro de Minas do Leão (RS).

  • Consumidores industriais representados pela Abrace criticaram a proposta da ANP de permitir, excepcionalmente, a injeção de biometano com especificações diversas na rede de gás. O assunto foi debatido em uma audiência pública sobre a qualidade do biometano no país.

SAF com biogás. A brasileira Geo bio gas&carbon assinou um memorando de entendimento com a norte-americana Syzygy Plasmonics para desenvolver projetos de produção de combustível sustentável de aviação a partir de biogás no Brasil. O acordo prevê a conversão de biogás gerado a partir de resíduos da cadeia da cana.

Opinião: ANP tem uma saída para driblar a falta de dados e evitar custos extras de R$ 9 bilhões na revisão tarifária do transporte de gás, escreve Bruno Armbrust, sócio fundador da ARM Consultoria.