Como o versátil Paquetá pode se encaixar no Flamengo de Filipe Luís
Pode existir quem considere exagerada uma descrição das qualidades de Lucas Paquetá. No fundo, ela reflete uma contratação incomum para o futebol brasileiro: um jogador de elite internacional que optou por retornar ao Flamengo, atraído por um clube que demonstra sua força econômica.
Com 28 anos, Paquetá está em idade ideal para desempenhar seu melhor futebol no Brasil; já participou de uma Copa do Mundo e se encaminha para a segunda; há pouco mais de um ano, despertava interesse do Manchester City de Guardiola. Sua contratação representa um padrão de reforço extremamente raro no mercado brasileiro, mas cada vez mais acessível aos clubes de ponta do país.
Os aproximadamente 42 milhões de euros investidos pelo Flamengo resultarão em uma combinação única de qualidade técnica e versatilidade. É nesse aspecto que vale a pena se aprofundar, já que, em uma temporada longa e desgastante como a brasileira, o meio-campista poderá resolver diversas questões na equipe de Filipe Luís.
Em teoria, é provável que vejamos Lucas Paquetá desempenhando a antiga função de Gérson: atuando como meio-campista que inicia jogadas mais aberto pela direita, mas se desloca em direção ao centro do campo para ser influente nos momentos finais. Nessa região, ele pode oferecer ao Flamengo sua habilidade de tabelar, driblar e chutar. Além disso, possui uma característica valorizada por Filipe Luís: uma grande capacidade de trabalho sem a posse da bola, pressionando os adversários.
Embora goste de às vezes infiltrar na área e marcar gols, a presença de Paquetá traz um dilema para o treinador avaliar. Ele não é um jogador veloz, que busca espaços vazios. É mais um atleta que se destaca pela capacidade de combinar jogadas com os companheiros, gerando trocas de passes. Em uma formação com Pedro, um centroavante que também atua mais em apoio do que explorando as costas da defesa, junto de jogadores como Arrascaeta, Pulgar e Jorginho, surge a preocupação com a possível perda de profundidade na equipe. Alex Sandro e Varela também não são laterais de características ofensivas, com constantes ultrapassagens pela lateral. Por outro lado, a presença de Paquetá pode resultar em combinações interessantes com Pedro.
Na maratona do futebol brasileiro, caso Filipe Luís precise dosar o esforço de Arrascaeta, Paquetá pode ocupar o meio-campo central, inclusive atuando de forma mais avançada, como fez o uruguaio em determinados momentos na última temporada. Até mesmo como meia partindo da ponta esquerda, Paquetá já teve experiência na seleção. Embora não seja tão comum um canhoto atuar da esquerda para o centro, foi por esse lado que ele construiu boas jogadas ao lado de Neymar nos jogos da seleção comandada por Tite. Contudo, considerando que o Flamengo costuma ter um ponta especializado na esquerda, essa possibilidade talvez seja menos frequente. Isso ampliaria a discussão sobre a falta de velocidade e profundidade no setor ofensivo do time, problema que se manifestou em parte da temporada anterior.
Em determinadas circunstâncias de jogo, outra opção será posicionar Paquetá como um dos volantes, contribuindo na saída de bola e condução do time ao ataque. Isso permitiria a ele explorar uma habilidade valiosa em um momento de crescentes pressões com marcações individuais: o novo reforço do Flamengo utiliza bem o corpo para superar um marcador, vencendo duelos e desfazendo a marcação adversária.
É natural que a chegada de um jogador do calibre de Paquetá gere grande expectativa no Flamengo e no Campeonato Brasileiro. No entanto, o desempenho dos jogadores também depende do contexto em que se encontram. Conciliar características sem perder a agressividade será um desafio importante. Paquetá eleva ainda mais o patamar do Flamengo.



