Compartilhar colírio pode causar 4 doenças nos olhos
Você abre o armário do banheiro e não hesita – Usa o colírio do avô que acabou de passar por uma cirurgia de catarata sem se preocupar com a saúde sua e dele. Essa situação é comum no Brasil. Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier, registros de 850 pacientes do hospital indicam que 297 (35%) só procuraram consulta após utilizar o colírio de algum familiar ou amigo sem restrições. Esse comportamento é mais frequente no verão, época propícia para conjuntivites que, se não tratadas corretamente, podem evoluir para ceratites (inflamação da córnea).
O oftalmologista ressalta que o colírio é um medicamento individual e intransferível – cada pessoa deve ter o seu. Isso se deve ao fato de que a lágrima e a superfície ocular possuem bactérias, vírus e fungos que funcionam como uma barreira de proteção contra agentes externos. Essa flora, ou microbioma, varia de pessoa para pessoa. Por isso, o compartilhamento de colírio pode facilitar a contaminação cruzada através do bico dosador da embalagem, transferindo o microbioma de uma pessoa para outra.
Tipos de olho seco
“Diferentemente do olho seco evaporativo causado pelo uso excessivo de telas, que é caracterizado por disfunção nas glândulas responsáveis pela produção da camada oleosa da lágrima, o olho seco decorrente do uso inadequado de colírios é uma deficiência na camada aquosa. Isso ocorre principalmente com fórmulas contendo corticoide, que também aumentam o risco de catarata. Gotas com anti-histamínico para tratar alergias também reduzem a produção lacrimal. Embora esses colírios sejam recomendados para pós-cirúrgico ou alergias, desequilibram o ambiente da superfície ocular.
O uso de colírio lubrificante pode aliviar a ardência e a sensação de areia nos olhos. No entanto, o oftalmologista destaca outros cuidados durante o tratamento para minimizar o desconforto:
- Utilize óculos escuros ao ar livre;
- Pare de usar lentes de contato;
- Evite ambientes com ar-condicionado;
- Mantenha-se hidratado, ingerindo 30 ml de água por quilo de peso;
- Dê preferência a colírios lubrificantes sem conservantes.
Conjuntivite: Sintomas e tratamento
Queiroz Neto destaca que os tipos mais comuns de conjuntivite, causados pelo uso indiscriminado de colírios, são a viral, com secreção viscosa, e a bacteriana, caracterizada por secreção purulenta. Vermelhidão, inchaço das pálpebras, dor e sensação de areia nos olhos são sintomas comuns. O tratamento pode durar de uma a duas semanas, sendo mais prolongado no caso viral. Recomenda-se compressas frias três vezes ao dia para conjuntivite viral e compressas quentes para a bacteriana, para auxiliar na eliminação da infecção. O uso de colírios deve ser feito somente com prescrição médica. Uma dica do especialista é fechar o canto interno do olho a cada aplicação para evitar efeitos colaterais sistêmicos.
Prevenção
Os principais cuidados preventivos recomendados pelo oftalmologista para evitar recaídas são:
- Mantenha as mãos limpas;
- Evite tocar nos olhos com as mãos;
- Não compartilhe fronhas, toalhas ou talheres;
- Afaste-se de aglomerações;
- Higienize teclados e, sempre que possível, evite o compartilhamento;
- Abstenha-se de usar lentes de contato e maquiagem durante o tratamento;
- Se estiver usando lentes de contato, substitua-as por um novo par quando a recuperação ocorrer.
Ceratite
O compartilhamento de colírio pode levar à inflamação da córnea, a camada externa do olho. O principal sintoma é a redução da visão, já que a córnea é responsável por 60% da nossa capacidade de foco. Qualquer dano nessa região pode comprometer significativamente nossa visão. Se não tratada corretamente, a ceratite pode resultar em perda visual. O tratamento varia de acordo com o agente causador e a gravidade da lesão, podendo, em alguns casos, exigir um transplante de córnea. Em situações de perfuração, como ocorreu com uma paciente após uso indevido de colírio, a melhor abordagem é colar a córnea e solicitar urgência em um banco de olhos para evitar a perda do globo ocular. Queiroz Neto enfatiza a importância de evitar complicações na córnea, recomendando que qualquer desconforto nos olhos seja avaliado por um oftalmologista. Como diz o ditado, a prevenção é o melhor remédio.
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