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Conhecimento que deprime – Semanário ZN

Conhecimento que deprime – Semanário ZN

Conhecimento que deprime – Semanário ZN

Diversas formas nos mantêm conectados à vida. Uma delas é refletir regularmente se estamos seguindo o caminho correto. Sempre defendi que o conhecimento liberta, um princípio que repito constantemente para minha filha. Contudo, como pode algo libertador também causar depressão? As ações ilícitas do STF – responsável por zelar pela Constituição, mas que, em suas decisões, muitas vezes a desrespeita – revelam que, ao nos aprofundarmos, sentimos mais angústia e impotência. No caso do STF, nenhum preceito jurídico parece ter valor. No passado, Gilmar Mendes julgava processos de pessoas próximas a ele. Mais recentemente, Alexandre de Moraes atuava como juiz em casos em que também era parte envolvida. Agora, Dias Toffoli se vê envolvido em uma complexa transação financeira entre seus familiares e o Banco Master, cujo processo está sob sua responsabilidade. A imparcialidade parece ser uma virtude relegada, reservada apenas aos mais frágeis, não aos que detêm poder. Aqueles com formação jurídica, ao se depararem com tais situações, experimentam um peso ainda maior, semelhante ao de um médico que acompanha a evolução de uma doença incurável em seu paciente. Ampliar o conhecimento sobre os demais Poderes não traz consolo, mas sim desespero. No Legislativo, independente da orientação política, a maioria dos deputados federais aprova medidas em troca de benefícios pessoais, relegando a atividade legislativa a um segundo plano. E quanto ao futuro do Executivo? Segundo pesquisa do Datafolha, a maioria dos cidadãos se identifica como seguidores do PT ou de Bolsonaro. Mais uma vez, o conhecimento traz desilusão. Muitos acreditam que o país não tem esperança sem Lula ou Bolsonaro (ou alguém apoiado por eles), permanecendo presos à influência desses dois líderes. Não se trata de preferência ideológica, mas sim de depositar expectativas em figuras populistas. Faço parte da minoria que não vê nenhum dos dois como apto a liderar o país. É provável que, em breve, Flávio Bolsonaro e Lula disputem um segundo turno, cada um defendendo suas virtudes e falhas. “Eu não, eu não quero te matar! O que eu faria sem você?”, disse o Coringa ao Batman em uma cena marcante. Consigo imaginar Lula e Bolsonaro repetindo essa cena. E de fato, o conhecimento pode ser desanimador.

*Coronel PM, advogado e escritor

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