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Copom explícito sobre corte de juros em março surpreende mercado

Copom explícito sobre corte de juros em março surpreende mercado

Copom explícito sobre corte de juros em março surpreende mercado

Título: Copom explícito sobre redução de juros em março surpreende mercado

Na decisão de política monetária desta quarta-feira (28), os membros do Banco Central do Brasil foram claros ao indicar que, caso as projeções se confirmem, a taxa de juros deverá começar a ser reduzida a partir de março.

“Em um cenário de inflação em queda e transmissão mais clara da política monetária, a estratégia envolve ajustes na taxa de juros. O Comitê prevê, caso o cenário esperado se concretize, iniciar a flexibilização da política monetária na próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição necessária para garantir a convergência da inflação à meta”, afirmou o Copom (Comitê de Política Monetária) no comunicado da decisão que manteve a Selic em 15% ao ano.

Economistas consultados pela CNN Money concordaram que ficaram surpresos com a clareza com que o BC anunciou a futura flexibilização da política monetária.

“Essa foi a parte mais surpreendente do comunicado, superando minhas expectativas iniciais de que o sinal para o início dos cortes não seria tão evidente”, destacou José Marcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos.

“A mudança de tom sugere que o Banco Central adquiriu maior confiança na eficácia da política monetária e na trajetória de redução da taxa neste momento.”

Segundo Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, “o comunicado foi um pouco mais suave”, o que é conhecido no jargão da política monetária como “dovish”, ao fazer o apontamento explícito.

Comunicado equilibrado

Apesar disso, o Copom procurou reforçar a prudência em relação ao corte de juros, tanto de forma explícita quanto implícita.

Além de ressaltar em palavras que estão atentos ao cenário externo, à ancoragem das expectativas, à persistência da inflação de serviços e à situação fiscal, o colegiado manteve inalterada sua projeção para a inflação no horizonte relevante.

“Essa abordagem contraditória é intencional […], querendo indicar que não será algo radical, que será feito com moderação e sem pressa”, explicou Fabio Kanczuk, diretor de Macroeconomia do ASA e ex-diretor do BC, em entrevista à CNN Money.

O Copom manteve suas estimativas para o horizonte relevante da política monetária, projetando um IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 3,2% para o terceiro trimestre de 2027. No entanto, as estimativas para preços livres e administrados foram ajustadas para 3,1% e 3,3%, respectivamente.

Segundo Luiz Fernando Figueiredo, também ex-diretor do BC, a autoridade monetária está iniciando uma flexibilização com cautela, indicando perspectivas de juros que ainda serão contracionistas ao final do ciclo.

“A intenção é manter uma política monetária ainda contracionista, porém em um nível diferente. Os diretores do BC foram muito firmes e rígidos até agora. Mas ainda não é o momento de adotar uma postura agressiva com a projeção de 3,2%, é possível começar a relaxar, mas com calma”, destacou Figueiredo.

Em nenhum momento, entretanto, o Copom deixou claro qual será a magnitude do corte a ser realizado na Selic. Os ex-diretores enfatizaram que isso faz parte do “estilo” do colegiado.

Kanczuk explicou que “o jogo do Banco Central é não permitir que o mercado se entusiasme demais”. Se o BC for muito claro sobre a trajetória dos cortes, a curva de juros futuros – que serve de referência para os preços de contratos e operações do mercado – cai demasiadamente e a política monetária perde eficácia.

A dúvida persiste no mercado em relação à extensão do corte.

“Quanto ao ritmo, ainda há divergência entre 25 e 50 pontos-base no diagnóstico. Dito isso, a valorização do câmbio e a expectativa de dados um pouco mais fracos referentes a dezembro tendem a fortalecer a possibilidade de um corte de 50 pontos-base, enquanto a chance de 75 pontos-base também começa a ganhar alguma probabilidade”, observou Victal.

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