×

Dólar abre em alta nesta sexta acompanhando tendência no exterior

Dólar abre em alta nesta sexta acompanhando tendência no exterior

Dólar abre em alta nesta sexta acompanhando tendência no exterior

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar iniciou o dia em alta nesta sexta-feira (20), seguindo a tendência positiva da moeda norte-americana em relação a outras moedas de países emergentes no cenário internacional, com os desdobramentos da guerra no Oriente Médio novamente chamando a atenção dos investidores.

Por volta das 9h11, a moeda norte-americana estava em elevação de 0,36%, sendo negociada a R$ 5,2351. Na quinta-feira (19), o dólar havia encerrado o dia em queda de 0,49%, a R$ 5,217, em uma sessão marcada pela volatilidade, com destaque para as decisões de juros do Copom e do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA), além da variação no preço do petróleo.

O comportamento do dólar seguiu a tendência do mercado internacional, onde o índice DXY, que avalia a força do dólar em relação a uma cesta de moedas fortes, registrou uma queda de 1,08%. O movimento durante a tarde contrastou com o período da manhã, quando o dólar chegou a ser cotado a R$ 5,313, marcando uma alta de 1,34%, devido à aversão global ao risco.

Por outro lado, o mercado acionário encerrou o dia em alta de 0,35%, atingindo os 180.270 pontos.

O dia foi marcado por novos episódios do conflito no Oriente Médio. Durante a madrugada, o Irã revidou ataques de Israel e dos EUA com bombardeios a instalações energéticas em países da região.

A escalada no conflito impactou o preço do petróleo, levando-o a ultrapassar o maior nível em mais de uma semana, chegando a US$ 119 por barril. Contudo, ao longo do dia, o valor do petróleo de referência global, Brent, perdeu força e encerrou o pregão a US$ 108,65, registrando um avanço discreto de 1,18%, o que reduziu a procura por ativos seguros e impulsionou os mercados acionários.

Declarações de um representante da Casa Branca, mencionando que os EUA não estão cogitando proibir a exportação de petróleo, influenciaram a mudança de direção no preço do Brent. A informação de que Israel está auxiliando os EUA na retomada das navegações pelo estreito de Hormuz também contribuiu para acalmar o mercado.

Para Bruno Botelho, chefe da mesa de câmbio e sócio da ONE Investimentos, o dia foi caracterizado por um movimento de ajuste após a agitação externa. “A alta inicial veio com a piora do cenário internacional, principalmente devido ao aumento das tensões no Oriente Médio, e as decisões do Fed e do Copom reduziram o diferencial de juros.”

Segundo ele, a intensidade do movimento diminuiu ao longo do dia. “O cenário reforça um ambiente de elevada volatilidade, com o câmbio reagindo rapidamente a eventos externos, mas ainda encontrando sustentação nos juros elevados e no fluxo interno.”

A instabilidade global se refletiu nos juros futuros, que chegaram a subir rapidamente, mas recuaram ao longo do pregão. As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros), que expressam a expectativa do mercado em relação às futuras taxas Selic e CDI (utilizado como referência para remunerar investimentos), estavam em ascensão.

Por volta das 17h, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,63%, com uma queda de 10 pontos-base em relação à taxa de 13,73% da sessão anterior (com máxima de avanço de 25 pontos). Na ponta mais longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 era de 13,84%, registrando uma queda de 6 pontos-base em comparação aos 13,90% anteriores -abaixo do pico de 14,19%, com aumento de 29 pontos-base.

O mercado de juros futuros permanece sob pressão devido à recente elevação do preço do petróleo, que pode reacender a inflação no Brasil, levando o Copom (Comitê de Política Monetária) a manter os juros elevados por mais tempo, adotando uma postura mais cautelosa.

Na última decisão na quarta-feira, o colegiado do Banco Central reduziu a Selic para 14,75% ao ano e confirmou o plano delineado na reunião anterior, em janeiro, indicando a intenção de iniciar a redução dos juros em março. Foi a primeira redução sob a gestão de Gabriel Galípolo.

No entanto, o comitê não antecipou os próximos passos e deixou a próxima decisão em aberto, mencionando um “forte aumento da incerteza”. Evitou até mesmo termos como “redução” ou “cortes”, optando por falar em um ciclo de “calibração” da política de juros. O objetivo do Copom é ter mais clareza sobre a profundidade e a extensão do conflito no Oriente Médio antes de definir os próximos passos.

Às vésperas da reunião, cresceu no mercado financeiro a expectativa de uma redução menor da taxa de juros no primeiro movimento, de 0,25 ponto percentual, devido à escalada nos preços do petróleo. Antes do agravamento do conflito no Oriente Médio, a previsão era de um corte de 0,5 ponto percentual.

No cenário internacional, o conflito também foi abordado pelo Fed (Federal Reserve). O banco central dos EUA mencionou que os desdobramentos do conflito no Oriente Médio na economia dos Estados Unidos são “incertos”.

O Fed optou por manter a taxa de juros inalterada na faixa de 3,5% a 3,75%, como amplamente esperado pelos mercados. No comunicado que acompanhou a decisão, o banco central afirmou que não haverá cortes na taxa de juros sem avanços na inflação, indicando que, embora tenha ocorrido progresso no processo de desinflação, ele não está no “ritmo desejado”.

A declaração foi vista como “hawkish” pelos operadores -agressiva na política de juros, no jargão-, o que reduziu a atratividade de ativos de risco.

“Esse é um dos fatores que também pressionam o real hoje. Além disso, apesar de o Copom ter adotado um tom mais cauteloso, especialmente em relação ao conflito no Oriente Médio, a trajetória de redução de juros no Brasil diminui o diferencial de taxas, o que contribui para uma piora no cenário doméstico”, afirma Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da StoneX.

Diante da volatilidade, o Banco Central realizou dois leilões simultâneos – um de dólar à vista e outro de swap cambial reverso, equivalente à compra de dólares no mercado futuro -, com oferta de US$ 1 bilhão em cada operação. A medida visa aumentar a liquidez em momentos de pressão.

Aposentados e pensionistas têm até sexta-feira (20) para questionar cobranças não autorizadas e garantir ressarcimento. Mais de 6 milhões já contestaram; quem não agir no prazo pode perder a devolução pela via administrativa

Notícias ao Minuto | 07:15 – 20/03/2026

Créditos