Entrevista com Cida Barretos, dirigente de Ensino Guarulhos-Sul
Entrevista com Cida Barretos, líder de Ensino Guarulhos-Sul
No dia 25.1, quarta-feira, as escolas estaduais de Guarulhos apresentaram resultados positivos no Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo). Para abordar esse tema, tivemos a exclusiva entrevista com a coordenadora geral/dirigente de Ensino Guarulhos-Sul, Maria Aparecida do Nascimento Barretos, conhecida como Cida Barretos no cenário educacional da cidade.
Qual é a sua avaliação dos resultados nas escolas sob sua responsabilidade?
Estávamos ansiosos para receber esses resultados e os consideramos muito positivos, pois as escolas mostraram avanços significativos em relação aos anos anteriores, especialmente se compararmos com 2023, quando os efeitos da pandemia ainda eram mais evidentes. Ficamos felizes em ver o progresso alcançado e a consistência desse trabalho, que demonstra uma evolução concreta em Língua Portuguesa e Matemática. Após a pandemia, os alunos retornaram após um período sem estudar. Em 2023, os resultados foram baixos. Foi necessário trabalhar, fazer ajustes e chegamos a novos patamares animadores, tanto em Língua Portuguesa quanto em Matemática, abrangendo os alunos do 5º e do 9º ano. É gratificante ver essa melhora na fluência da leitura e na compreensão das operações matemáticas, de acordo com cada nível de ensino. No entanto, há ainda muito a melhorar e estamos colaborando com cada escola nesse processo.
Quanto ao quinto ano, as escolas estaduais ainda têm grande participação no primeiro ciclo do ensino fundamental, apesar de ser predominantemente responsabilidade da rede municipal?
Sim, com certeza. Na região Sul, temos 8.500 alunos distribuídos em 22 escolas. Se somarmos as escolas da região Norte, chegamos a cerca de 50.
Houve algum esforço específico para melhorar os resultados do Saresp?
Sim! Esse esforço foi fruto do trabalho conjunto da Secretaria da Educação e das Unidades Regionais de Ensino. Investimos significativamente na formação contínua dos professores, por meio do programa Multiplica, e no planejamento de aulas realizado pela Efape – Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação, integrando o ATPC (Aulas de Trabalho Pedagógico Coletivo) dos professores. Foi uma formação abrangente que abordou conteúdos, recuperação e reforço da aprendizagem. Além disso, expandimos as escolas de período integral de 2023 para 2025, tanto nos anos iniciais quanto nos finais. Destaco também a implementação de plataformas educacionais, que complementam as ferramentas dos professores em Língua Portuguesa e Matemática. As plataformas visam fortalecer o ensino dessas disciplinas, como leitura, redação e jogos matemáticos no Matific. Adicionalmente, realizamos recomposições de aprendizagem, fornecendo material de apoio de qualidade, reforço na tutoria dos alunos e avaliações sistemáticas para identificar necessidades e defasagens, permitindo intervenções eficazes.
Houve uma relação direta entre o Provão Paulista e a maior participação dos alunos no Saresp?
Com certeza, pois o Provão Paulista é uma porta de entrada para as universidades para nossos alunos. Acredito que isso contribui para fortalecer a cultura da participação em avaliações externas. Anteriormente, os alunos não encaravam essas avaliações com seriedade, considerando-as apenas mais uma prova. Porém, ao perceberem a importância prática dessas avaliações, sua visão mudou. Em Guarulhos, tivemos alunos ingressando em Medicina, Arquitetura, Psicologia e outras áreas em universidades como a USP. O engajamento dos alunos no Saresp, com maior seriedade, teve uma contribuição significativa do Provão Paulista, refletindo o comprometimento com os estudos e demonstrando resultados positivos.
Diante do avanço da tecnologia, quais são os desafios para manter a atenção dos alunos? Existem técnicas sendo empregadas para estimular a concentração em sala de aula?
Os professores estão adotando novas técnicas para engajar os alunos. Um ponto crucial foi a proibição do uso de celulares em sala de aula, estabelecida por legislações federal e estadual. Além disso, os professores, principalmente os de tecnologia, estão capacitando colegas com metodologias inovadoras, promovendo ações conjuntas de leitura e jogos durante as aulas para envolver os alunos. Ambientes criativos e aulas dinâmicas garantem maior participação dos alunos, com influência positiva das tecnologias ativas, como ensino baseado em problemas e aprendizagem cooperativa.
Os professores tiveram que se reinventar diante desses desafios?
Sim, houve uma necessidade de reinvenção por parte dos professores. Sua formação foi essencial para encarar esses desafios como oportunidades de fortalecimento do ensino e aprimoramento de suas práticas. Os professores agiram de forma proativa e pontual nesse contexto.
Existe uma parcela significativa de alunos que chegam ao Ensino Médio sem estar plenamente alfabetizados?
Embora não tenhamos uma média global, podemos observar, com base no ensino profissionalizante, que há um desenvolvimento satisfatório, mesmo que não ideal. Vemos estagiários sendo efetivados durante o estágio. O acompanhamento das defasagens nos primeiros anos do Ensino Médio, juntamente com a tutoria de professores especializados, tem sido uma prática adotada para melhorar o desempenho dos alunos.
Você ainda vê um futuro para o livro impresso, considerando a predominância das redes sociais? Qual é a importância desse hábito de leitura?
Sem dúvida, o livro impresso continua fundamental. A tecnologia pode complementar, mas não substituir, as vantagens do livro físico, como leitura profunda, concentração e menor distração, promovendo uma melhor retenção do conteúdo. O investimento em salas de leitura é essencial, pois proporciona experiências únicas aos alunos. Acredito que a leitura na sala de aula, o contato físico com o livro e a interação dinâmica são experiências valiosas que não devem ser negligenciadas.
Qual mensagem você gostaria de deixar para os professores e as famílias dos alunos?
Os professores desempenharam um papel fundamental nessa conquista e merecem todo o reconhecimento pelo seu empenho e dedicação. Os bons resultados alcançados no Saresp são fruto do trabalho árduo e do compromisso desses profissionais, que se dedicam diariamente em sala de aula. A participação ativa das famílias é igualmente essencial, apoiando os alunos, incentivando a frequência e promovendo a autoconfiança. Agradeço a todos os envolvidos e parabenizo pelo desempenho dos alunos, destacando a importância do esforço conjunto na educação das crianças e jovens.
(texto editado às 7h39 da sexta-feira, 27.2)


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