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Erros de português em escolas cívico-militares: monitores escrevem “descançar” e “continêcia” em Caçapava

Imagem: TV Vanguarda

Erros de português em escolas cívico-militares: monitores escrevem “descançar” e “continêcia” em Caçapava

Cena em sala de aula reacende debate sobre preparo de monitores no modelo e supervisão nas escolas cívico-militares

Erros básicos de ortografia em comandos de “ordem unida” abriram o ano letivo de 2026 numa escola estadual de Caçapava (SP) que aderiu ao modelo cívico-militar, após monitores, policiais militares aposentados, escreverem no quadro “descançar” e “continêcia”. O episódio foi registrado por uma equipe da TV Vanguarda, e a Secretaria da Educação de São Paulo afirmou que, neste início de implementação, os monitores atuam com orientações de disciplina e promoção de valores cívicos, enquanto o conteúdo pedagógico é responsabilidade dos docentes.

O que aconteceu na sala

Durante uma atividade de monitoria, os monitores ensinaram comandos associados à “ordem unida”, conjunto de movimentos padronizados comum no ambiente militar, e as palavras foram anotadas na lousa com grafia incorreta. A reportagem mostra que, depois de ser alertado, um dos monitores, identificado como “tenente Jeferson”, voltou ao quadro e corrigiu as duas palavras.

Por que o caso ganhou repercussão

O ponto sensível é a contradição entre a proposta do modelo, que promete reforço de disciplina e civismo, e a cena em que orientações formais aparecem com erros de escrita diante de alunos. Além disso, o próprio g1 destacou que as grafias corretas são “descansar” e “continência”.

O que dizem as versões oficiais

Segundo o g1, a Secretaria da Educação do Estado informou que “todo o conteúdo pedagógico é elaborado e aplicado pelos docentes da escola” e que, no começo da implementação, os monitores estão focados em orientar atividades de disciplina e valores cívicos. Ou seja, pelo relato publicado, o trabalho dos monitores não é apresentado como docência formal, mas como apoio disciplinar e cívico dentro da unidade.

Perguntas que a reportagem deixa no ar

Ainda assim, o caso levanta dúvidas práticas sobre critérios de seleção, treinamento e supervisão desses monitores no cotidiano escolar, já que atuam diretamente com estudantes e conduzem instruções em sala. Também expõe a necessidade de protocolos claros para evitar que atividades “não pedagógicas” gerem constrangimento público e ruído na comunidade escolar logo na largada do ano.

 

RBN

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