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Escola de Campinas nega relação entre demissão e denúncia de racismo feita por porteiro

Escola de Campinas nega relação entre demissão e denúncia de racismo feita por porteiro

Escola de Campinas nega relação entre demissão e denúncia de racismo feita por porteiro

Escola de Campinas refuta ligação entre demissão e denúncia de racismo feita por porteiro

‘Negro sujo e macaco’: funcionário de escola denuncia racismo de estudantes em Campinas.

Após a denúncia de episódio de racismo por parte dos alunos em uma escola particular em Campinas feita pelo ex-porteiro Ronei Ferraz, ocorrida em dezembro de 2025, a instituição negou que a demissão do trabalhador tenha ocorrido devido à denúncia. A Polícia Civil e o Ministério Público do Trabalho estão investigando o caso de racismo.

Em comunicado, o Colégio Objetivo Barão Geraldo declarou repúdio a qualquer ato de racismo e preconceito, afirmou que a demissão de Rodnei não teve ligação com a denúncia e que “atitudes indisciplinares dos alunos são analisadas com rigor e proximidade”.

A administração da escola também informou que Ronei Ferraz trabalhava como porteiro na unidade desde agosto de 2025 e que a denúncia foi tratada com cautela e seriedade.

Segundo a escola, uma investigação interna foi realizada com alunos, colaboradores e famílias, e os alunos envolvidos negaram ter praticado qualquer ato racista. Leia a nota completa aqui.

A Federação dos Professores do Estado de São Paulo (Fepesp) também se pronunciou, repudiando o caso de racismo, defendendo uma investigação rigorosa e afirmando considerar o “caso grave e inaceitável, especialmente por ter ocorrido em ambiente educacional”.

A Fepesp declarou, em comunicado, que nenhum funcionário deve sofrer retaliação por denunciar práticas discriminatórias e que as instituições de ensino têm responsabilidade na prevenção e combate a esse tipo de conduta.

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‘Me senti constrangido’, diz porteiro

“A educação vem de berço e, naquele momento, eu me senti muito constrangido”. O desabafo é de Rodnei Ferraz, ex-porteiro de uma escola particular de Campinas (SP) que denunciou à Polícia Civil ter sido alvo de ofensas racistas feitas por alunos.

O caso ocorreu em dezembro de 2025, e o G1 teve acesso ao boletim de ocorrência na terça-feira (10). A vítima relatou ter sido xingada de “negro sujo”, “macaco” e “sub-raça” por três adolescentes do ensino médio que estavam na unidade para fazer provas de recuperação.

Rodnei afirmou que, após denunciar o ocorrido à direção, foi demitido. “É revoltante, porque você se sente frágil e impotente diante dessa situação ridícula que aconteceu comigo”, disse a vítima.

O caso foi registrado na delegacia e será investigado. O Colégio Objetivo Barão Geraldo afirmou, em nota, repudiar qualquer ato de racismo e preconceito, esclarecendo que a demissão de Rodnei não teve relação com o caso. Confira a nota completa clicando AQUI.

‘Eu pago o seu salário’

Conforme o boletim de ocorrência, o incidente ocorreu no dia 15, em uma unidade localizada no distrito de Barão Geraldo. O trabalhador relatou que os estudantes estavam fazendo barulho e entrando repetidamente em um banheiro, e ele resolveu chamar a atenção.

“Eles estavam fazendo muita bagunça, entrando e saindo constantemente, e então entraram em um banheiro e começaram a gritar, e eu chamei a atenção. (…) Mas aí um deles chegou e disse: ‘eu pago o seu salário, você é um sub-raça, um negro sujo e um macaco'”, contou.

Com 20 anos de experiência na área, ele estava na unidade há quatro meses. “Fiquei chocado e chamei minha rendição para me substituir, para não ficar perto dessas crianças, que eles chamam de crianças, mas com 17, 16 anos, acho que já têm uma visão”, disse.

O episódio ocorre em meio ao aumento das denúncias de racismo no estado. Dados do Disque 100 mostram que São Paulo registrou 1.088 denúncias em 2025, um aumento de 20,2% em relação a 2024. Em Campinas, foram 26 registros no ano passado, pouco mais de duas por mês.

O que diz o Colégio Objetivo

“O Colégio Objetivo Barão Geraldo repudia qualquer ato de racismo e preconceito. Os valores da escola estão fundamentados na formação humana, considerada um pilar importante no desenvolvimento dos alunos.

São realizados trabalhos constantes, desde a Educação Infantil até o Ensino Médio, para a construção e fortalecimento de princípios como respeito, empatia, convivência e responsabilidade social em diversas disciplinas e eventos.

Atitudes indisciplinares dos alunos são tratadas com rigor e proximidade. Em situações de desrespeito às regras, seguimos nosso regimento interno, no qual, dependendo de cada caso, o aluno pode receber advertência, suspensão ou até mesmo expulsão, se necessário e respeitando o caráter pedagógico.

Em relação ao incidente mencionado na matéria, a escola esclarece o seguinte:

  • Rodnei Ferraz atuava como porteiro na unidade desde 01/08/2025;
  • O tema foi tratado com extrema cautela, atenção e seriedade, por envolver menores de idade. Por isso, a escola entrou em contato com os alunos envolvidos, colaboradores e famílias;
  • A acusação do funcionário foi investigada internamente, com os alunos negando a prática de qualquer ato racista;
  • O desligamento do funcionário não teve conexão com os fatos.

Reiteramos nosso compromisso social e esforço em lidar com a situação de forma ética e profissional. A escola está colaborando com as autoridades competentes.

O porteiro Rodnei Ferraz procurou a Polícia Civil para denunciar um caso de racismo ao ser ofendido por estudantes de uma escola particular de Campinas (SP).

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