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Escorpião de clima quente é identificado pela primeira vez no Sul do Brasil

Escorpião de clima quente é identificado pela primeira vez no Sul do Brasil

Escorpião de clima quente é identificado pela primeira vez no Sul do Brasil

Escorpião de clima quente é avistado pela primeira vez no Sul do Brasil

Biólogos do Laboratório de Coleções Zoológicas do Instituto Butantan confirmaram a presença inédita de um tipo de escorpião característico de regiões quentes no Sul do Brasil. O Tityus confluens foi identificado no Paraná, ampliando o mapa de distribuição desse animal no país.

A espécie é considerada exótica, ou seja, não é nativa da região. Até então, no Brasil, sua presença estava restrita a estados com clima predominantemente quente, como Ceará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Piauí e Tocantins.

“Esse registro confirma a expansão de mais uma espécie do gênero Tityus spp., fornecendo informações importantes para a identificação e monitoramento por autoridades de saúde em níveis municipais, estaduais e federais”, explicou Paulo Goldoni, tecnologista do Laboratório de Coleções Zoológicas do Instituto Butantan.

Publicado no Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi – Ciências Naturais, o estudo resultou de uma colaboração entre o diretor do Laboratório de Coleções Zoológicas, Antonio Brescovit, o tecnologista Paulo Goldoni, o biólogo Luiz Felipe Iniesta, da Universidade de São Paulo (USP), e Juliana Cequinel, da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná.

Riscos e reprodução solitária

Apesar de os especialistas indicarem que o escorpião ainda não representa um risco grave de envenenamento no Brasil, um caso sério envolvendo uma criança na Argentina foi relatado na literatura médica. No entanto, não houve registros de crianças entre as vítimas analisadas pela equipe brasileira.

Devido à existência de estudos sobre a toxicidade do veneno, os pesquisadores recomendam cautela ao lidar com acidentes envolvendo o Tityus confluens, especialmente com crianças.

Uma das preocupações dos biólogos é a capacidade de reprodução da espécie. Sendo “partenogenética”, as fêmeas conseguem se reproduzir sem a necessidade de um macho, o que pode resultar em competição e desequilíbrio populacional com outras espécies que dependem de reprodução sexual.

Os biólogos acreditam que as alterações ambientais, a superação de barreiras geográficas e as mudanças climáticas são fatores-chave na disseminação de diversas espécies, especialmente as potencialmente perigosas para os seres humanos.

Os registros da pesquisa foram baseados em exemplares enviados pela Secretaria da Saúde do Paraná aos pesquisadores do Butantan, totalizando 333 exemplares analisados, a maioria proveniente de Foz do Iguaçu e de outras seis cidades paranaenses.

A pesquisa reforça a importância de manter os registros atualizados para compreender as rotas de disseminação e antecipar novas áreas de colonização desses escorpiões no Brasil.

Por enquanto, não há um soro específico para picadas do Tityus confluens, uma vez que a espécie ainda não foi identificada como um risco grave de envenenamento. Portanto, é vital prestar atenção aos estudos que alertam sobre a expansão de fauna exótica no país.

Os pesquisadores destacam a necessidade de colaboração com países vizinhos para o desenvolvimento de um soro específico ou tratamentos utilizando espécies do mesmo grupo.

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