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Esgoto na água de beber

Esgoto na água de beber

Esgoto na água de beber

O Estado de São Paulo, considerado o mais avançado do Brasil, ainda enfrenta sérios desafios na gestão do esgoto. Pesquisadores da Escola de Engenharia de São Carlos, da USP, analisaram os 645 municípios paulistas e constataram que mais de duzentas toneladas de nitrogênio e trinta toneladas de fósforo são despejadas diariamente nos cursos d’água, provenientes de esgoto sem tratamento adequado.

Essa situação contribui para a degradação da qualidade da água. É recomendado aprimorar o funcionamento das Estações de Tratamento de Esgotos com tecnologias mais eficientes. São Paulo também enfrenta problemas, visto que esgoto sem tratamento é despejado na represa Guarapiranga, abastecida por nascentes locais.

Seria importante que a SABESP implementasse estações de tratamento descentralizadas, evitando o deslocamento do esgoto até Barueri, localizado a quase cinquenta quilômetros da represa.

O estudo dos pesquisadores foi publicado no Journal of Environmental Management e fez uso do Atlas Esgoto, principal fonte nacional sobre o saneamento no Brasil, embora com dados de 2015 e 2016. A falta de seriedade na implementação do Marco Legal do Saneamento pode agravar a situação até 2026, se não forem tomadas medidas adequadas.

É urgente priorizar questões de engenharia e gestão, repensando o modelo de saneamento para reduzir a poluição e preservar a qualidade da água nos rios paulistas, essenciais para o abastecimento da vasta população da região metropolitana de São Paulo. A situação nos demais municípios paulistas também deve ser preocupante. É improvável que alguma cidade tenha resolvido totalmente a questão do saneamento básico e assegure a qualidade da água sem críticas.

Não é aceitável que, em 2026, ainda existam coliformes fecais na água consumida pelos paulistas. Precisamos agir?

*José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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