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Estado de SP inicia estudo que pode tombar e proteger Complexo Beira Rio, em Piracicaba

Estado de SP inicia estudo que pode tombar e proteger Complexo Beira Rio, em Piracicaba

Estado de SP inicia estudo que pode tombar e proteger Complexo Beira Rio, em Piracicaba

Estado de SP inicia estudo que pode tombar e proteger Complexo Beira Rio, em Piracicaba

Complexo Beira Rio visto de cima
Movimento Salve a Boyes/Reprodução

O Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (CONDEPHAAT), órgão estadual de São Paulo, optou pela abertura do estudo de tombamento do Complexo Beira Rio em Piracicaba (SP). A decisão foi resultado de uma reunião realizada nesta segunda-feira (9).

O Complexo Beira Rio é formado pela Fábrica Boyes, o Palacete Luiz de Queiroz, a Praça Ermelinda Ottoni de Souza Queiroz e o Museu da Água.

O estudo realizado pelo órgão estadual avaliará o valor histórico e cultural desses locais, situados às margens do rio Piracicaba.

Enquanto o estudo está em andamento, os bens estão recebendo proteção provisória para evitar modificações ou descaracterizações. Dessa forma, obras ou intervenções só poderão ser realizadas após análise e aprovação prévia do Condephaat, conforme informado pelo órgão.

O órgão não divulgou o prazo para conclusão do estudo. Esse tipo de análise considera a importância histórica, a relação com a cidade, as características do bem, entre outros aspectos. O resultado final é um parecer técnico que, se aprovado, poderá tombar e proteger o complexo a nível estadual.

Os empreendedores do Boulevard Boyes, que planejam demolir parte da fábrica e construir quatro torres residenciais, comunicaram ao g1 que não se pronunciarão sobre o assunto no momento.

O projeto de condomínio ‘Boulevard Boyes’ prevê a demolição de seis dos 13 edifícios da área da antiga fábrica para a construção de quatro torres residenciais com cerca de 90 metros de altura às margens do rio Piracicaba. A empresa afirmou à EPTV, afiliada da TV Globo, em maio de 2025, que a construção do empreendimento geraria empregos e revitalizaria o local.

A demolição chegou a ser aprovada pela maioria dos membros do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural (Codepac) em uma reunião extraordinária em junho de 2023.

No entanto, uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) de 2025 acatou o recurso apresentado por associações ambientais do município e manteve a suspensão do projeto imobiliário.

O relator do caso, Martin Vargas, destacou que a construção das torres poderia causar danos irreversíveis à área às margens do rio. A medida permanecerá em vigor até a conclusão do processo de tombamento da área da Fábrica Boyes a nível estadual.

O Movimento Salve a Boyes, em conjunto com entidades, coletivos, organizações culturais, ambientais e cidadãos que defendem o tombamento do Complexo Beira Rio, emitiu uma nota.

“É um reconhecimento institucional da relevância histórica, cultural e simbólica da área, especialmente no que diz respeito à memória fabril e industrial de Piracicaba, à formação urbana da cidade e à sua relação histórica com o rio Piracicaba e o Engenho Central”, afirmaram.

O movimento também ressaltou a importância ambiental e paisagística estratégica do complexo para Piracicaba e para o Estado de São Paulo, devido ao patrimônio cultural associado às margens do rio, à paisagem do Salto [do rio Piracicaba] e aos bens industriais que moldaram o desenvolvimento econômico e social da região.

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Créditos – Fonte: G1