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Feminicídios: a morte onde o amor não prevalece e o estado não chega

Feminicídios: a morte onde o amor não prevalece e o estado não chega

Feminicídios: a morte onde o amor não prevalece e o estado não chega

13.703 mulheres vítimas em uma década, 1.568 feminicídios em 2025, sendo 66,3% ocorridos dentro de casa e 97,3% cometidos por homens parceiros ou ex-parceiros.

    Riselda Morais – São Paulo – O Feminicídio é uma forma de violência que atinge mulheres brasileiras desde a adolescência até a terceira idade.
    Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgados recentemente, 29,4% dos casos de feminicídio envolvem mulheres jovens de 18 a 29 anos, percentual que aumenta para 50% na faixa etária de 30 a 49 anos e 15,5% entre mulheres com mais de 50 anos. É lamentável que a morte chegue onde o amor foi confundido com posse, sendo o agressor responsável por 59,4% dos casos um parceiro íntimo e em 21,3% dos casos, um ex-parceiro íntimo.
    Nos últimos dez anos, 13.703 mulheres foram vítimas de feminicídio. Em 2025, esse número subiu para 1.568 mulheres, representando um aumento de 4,7% em relação a 2024 e de 14,5% em relação a 2021.
    Em 2025, os maiores aumentos de feminicídios foram registrados no estado do Amapá, com 120,3%, e em São Paulo, que teve 270 feminicídios no ano anterior, contra 136 em 2021, um aumento de 96,4% em quatro anos.
    Uma análise dos dados de 5.729 feminicídios ocorridos entre 2021 e 2024 revelou que a grande maioria, 97,3% dos agressores eram homens, sendo 48,7% portando arma branca (faca, canivete, machado) e que a maioria esmagadora, 66,3%, dos feminicídios ocorreram no ambiente que deveria ser de paz, amor e segurança: o lar. Apenas 19,2% dos casos ocorreram em locais públicos.
   
      Intitulado “Visível e Invisível, a Vitimização de Mulheres no Brasil”, o estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública destaca o aumento da violência vivenciada pelas mulheres, indicando que 23,4 milhões de brasileiras com 16 anos ou mais sofreram algum tipo de violência física, sexual ou psicológica de parceiros ou ex-parceiros nos últimos 12 meses.

21,4 milhões de mulheres foram vítimas de agressões.
17,7 milhões sofreram ofensas verbais. 8,9 milhões foram vítimas de agressão física.
8,5 milhões foram vítimas de stalking, que é a perseguição reiterada física ou online.
5,3 milhões sofreram ofensas sexuais.
1,5 milhão teve fotos ou vídeos íntimos divulgados na internet.
As situações vivenciadas com parceiros ou ex-parceiros ao longo da vida revelam outras formas de violência, como 31,6% das mulheres que se sentiram inúteis devido a menosprezos repetidos.
30,6% relataram que seus parceiros ou ex-parceiros deram socos em paredes e/ou portas por raiva.
29,1% tiveram seus celulares ou computadores checados contra a vontade.
17,1% foram proibidas de estudar ou trabalhar fora de casa.
16,4% foram ameaçadas de suicídio por seus parceiros devido a tristeza causada por elas.
10% foram impedidas de ter seu próprio dinheiro.

     A análise da violência doméstica evidencia um crescimento alarmante em diversas formas, onde, apesar de parceiros e ex-parceiros serem os principais agressores, amigos, conhecidos, pais e mães também fazem parte desse ciclo de violência.

   No último ano, 37,5% das mulheres sofreram algum tipo de violência, em contraste com 28,6% em 2017.

Insultos, humilhação ou xingamentos foram sofridos por 31,4% das mulheres em 2025, contra 22,2% em 2017.
Perseguição ou amedrontamento atingiram 16,1% das mulheres em 2025, comparado a 9,3% em 2017.
Tapas, empurrões ou chutes foram desferidos contra 16,9% das mulheres em 2025, ante 8,9% em 2017.
Espancamentos ou tentativas de estrangulamento afetaram 7,8% das mulheres em 2025, comparado a 3,4% em 2017.
Em 91,8% dos casos, a violência foi testemunhada por amigos, conhecidos, filhos ou parentes, sendo a casa o local mais comum desses atos.

   No que se refere ao assédio, 23,5 milhões de mulheres, sendo a maioria 40,8%, sofreram na rua; 11,1 milhões (20,5%) no ambiente de trabalho; 8 milhões (15,3%) no transporte público; 5,7 milhões (11,3%) em festas.
   
   O estudo “Diante dos Nossos Olhos” destaca a ocorrência de violência contra meninas e mulheres, indicando que 55,6% das pessoas presenciaram situações desse tipo em suas comunidades.

32,5% das pessoas testemunharam homens brigando, se agredindo ou se ameaçando devido a ciúmes de suas parceiras ou ex-parceiras.
27,2% viram meninas ou mulheres da vizinhança sendo agredidas por parceiros ou ex-parceiros.
27,8% testemunharam ameaças contra essas mulheres.
Apenas 25,7% das mulheres vítimas de violência procuraram ajuda oficial;
14% não confiam na capacidade da polícia em resolver o problema;
13,9% têm receio de sofrer retaliações.
13,1% das vítimas de feminicídio em 2025 possuíam Medidas Protetivas de Urgência, mas infelizmente o apoio do estado não chegou a tempo de salvá-las.

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