Guerra do Oriente Médio restringe corredores humanitários e atrasa ajuda
Rotas humanitárias aéreas, marítimas e terrestres cruciais estão sendo afetadas por interrupções decorrentes do conflito no Oriente Médio, resultando em atrasos no envio de ajuda essencial em meio a algumas das piores crises globais, conforme relatado por 10 autoridades humanitárias à agência Reuters.
O embate entre Estados Unidos, Israel e Irã atingiu seu sétimo dia nesta sexta-feira (6), gerando instabilidade nos mercados internacionais e interrompendo as cadeias de abastecimento com o fechamento do espaço aéreo e a paralisação do tráfego marítimo no vital Estreito de Ormuz.
A assistência destinada a Gaza e ao Sudão encontra-se praticamente estagnada, ao passo que os custos para socorrer centenas de milhões de pessoas em meio a crises de fome ao redor do globo estão aumentando rapidamente.
“Indivíduos em extrema necessidade de auxílio terão de aguardar mais tempo por alimentos”, afirmou Jean-Martin Bauer, diretor de Segurança Alimentar do Programa Mundial de Alimentos (WFP).
Enquanto isso, tendas, lonas e lanternas destinadas aos territórios palestinos ocupados de Gaza e da Cisjordânia estão retidas na logística, conforme informou a Organização Internacional para as Migrações (OIM).
Centro humanitário em Dubai
Organizações de ajuda alertam que o aumento dos custos operacionais está impactando orçamentos já reduzidos devido a grandes cortes de financiamento por parte de doadores. A OIM revelou que empresas de transporte estão impondo sobretaxas de emergência de cerca de US$ 3.000 (aproximadamente R$ 15.732,30) por contêiner.
As organizações humanitárias que armazenam suprimentos para resposta rápida regional nos depósitos do Centro Humanitário em Dubai enfrentam desafios para transportar os produtos pelas rotas de trânsito afetadas.
A Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (IFRC) encontra dificuldades em enviar kits de trauma para auxiliar o Crescente Vermelho iraniano nas operações de busca e resgate. Os equipamentos estão retidos no centro de Dubai como parte de um estoque emergencial avaliado em 10 milhões de francos suíços (US$ 13 milhões, ou cerca de R$ 68,1 milhões), de acordo com Cecile Terraz, diretora da organização.
Além disso, a entidade está impossibilitada de despachar cargas pelo porto de Jebel Ali, o principal terminal de contêineres da região, que foi atingido por um incêndio decorrente de destroços de um míssil interceptado. Normalmente, as cargas seguem dali por via aérea ou pelo Estreito de Ormuz.
As operações do centro da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Dubai estão paralisadas, conforme informou a diretora regional Hanan Balkhy, o que tem prejudicado 50 pedidos emergenciais de 25 países e impactado operações como campanhas de vacinação contra a poliomielite.
Impactos globais
Os efeitos da crise podem se propagar ainda mais.
O Sudão, que enfrenta uma grave crise de fome, está especialmente vulnerável devido às restrições adicionais implementadas desde 28 de fevereiro no Canal de Suez e no Estreito de Bab el-Mandeb, ao sul do Mar Vermelho, conforme relatório do ACNUR.
“Estamos particularmente preocupados com a situação na África”, declarou uma porta-voz da agência, acrescentando que algumas cargas estão sendo enviadas contornando o Cabo da Boa Esperança, uma rota que pode demandar até três semanas adicionais.
Os custos de combustível, transporte e seguros estão em ascensão, e Terraz mencionou que a IFRC pode ser forçada a reduzir as entregas ao Crescente Vermelho iraniano.
Emma Maspero, gerente sênior da divisão de suprimentos da UNICEF em Copenhague, expressou a expectativa de que voos transportando itens humanitários perecíveis, como vacinas, possam receber prioridade diante das restrições ao espaço aéreo.



