Gustavo Petro condena ataque dos Estados Unidos contra Venezuela no Fórum Econômico da América Latina
Título: Gustavo Petro critica ataque dos Estados Unidos à Venezuela no Fórum Econômico da América Latina
O presidente Gustavo Petro voltou a condenar, nesta quarta-feira (28), a ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela, durante sua participação no Fórum Econômico Internacional da América Latina e do Caribe 2026. “Não desejamos ver mísseis sobre Caracas, nem sobre qualquer país das Américas, seja ao norte ou ao sul”, declarou, alertando sobre as sérias consequências de uma escalada bélica para o continente.
Em um discurso de 30 minutos, Petro expôs sua visão sobre o papel da América Latina e do Caribe no cenário global, destacando sua oposição à guerra e seu apelo por uma integração regional mais profunda. Sua mensagem foi ouvida atentamente pelos oito líderes presentes e por mais de 2.500 empresários reunidos no Panamá, em um evento organizado pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF).
Seguindo a linha de seus discursos anteriores, o presidente colombiano enfatizou que o ataque a Caracas vai além de “uma situação específica”. “Atacar Caracas, a cidade natal do Libertador, não foi por causa de Maduro — isso é circunstancial —, mas sim devido à relação histórica entre os Estados Unidos e a América Latina”, ressaltou. Ele também alertou que “nenhuma geração futura esquecerá o bombardeio à cidade natal do Libertador, nem em nosso país, nem na América Latina”.
Ao longo de seu discurso, Petro também ressaltou a importância da integração regional, argumentando que os laços históricos entre os povos são mais sólidos do que os construídos pelas instituições formais. “Os povos se uniram ao longo da história de tal maneira que devemos nos enxergar como parte de uma civilização latino-americana e caribenha, diversa e intensa, mas unida pela história e pela população”, afirmou, acrescentando que essa união é “muito mais forte do que a dos Estados-nação, que têm perdido poder progressivamente”.
Em relação aos crescentes conflitos geopolíticos globais, o mandatário enfatizou, em consonância com as declarações de Lula poucas horas antes, que a região não está mais à margem dos grandes conflitos mundiais. “Não somos mais a América Latina que ficou de fora das duas Guerras Mundiais, graças a Deus. Agora estamos aqui e somos alvos deles”, alertou, ressaltando a necessidade de buscar soluções conjuntas para evitar um cenário de violência generalizada. “Isso precisa ser resolvido de forma urgente, se não quisermos enfrentar a morte iminente”, reforçou.
Para lidar com esses desafios, Petro propôs iniciar um diálogo estratégico entre as diversas regiões do continente americano. “É essencial tentar um diálogo entre as Américas; é algo que precisa ser experimentado, embora possa fracassar se não compreendermos que somos civilizações distintas”, alertou.
Ele destacou que “é possível fazer acordos entre diferentes. Não devemos nos confundir entre civilizações, mas nos reconhecer e estabelecer acordos”. De acordo com sua explicação, um possível acordo deveria ser baseado em dois princípios fundamentais: “liberdade e vida”.
Narcotráfico, cooperação internacional e energia limpa
Outro ponto central do discurso foi o combate ao narcotráfico. Petro criticou severamente as estratégias convencionais, classificando-as como ineficazes. “As abordagens antigas não foram eficazes para conter o narcotráfico. O que vejo é um crescimento contínuo desse problema”, afirmou.
Dirigindo críticas diretamente ao governo do Equador, que, uma semana atrás, acusou a Colômbia de “não fazer o suficiente para combater o narcotráfico”, Petro ressaltou que o tráfico de drogas representa um desafio cada vez mais global. “Não é um problema regional, presidente Noboa, é uma questão global e universal. A cocaína que sai da Colômbia, passando pela fronteira com a Venezuela ou com o Equador, não é adquirida por máfias colombianas. Nem mesmo poderíamos dizer que se trata de uma máfia latino-americana. É uma atividade de uma multinacional internacional”, declarou diante de Noboa.
O presidente lembrou que em Manaus se reuniu com Lula para iniciar a criação de forças policiais conjuntas e sugeriu, com um tom irônico, que essa iniciativa poderia ser estendida “ao Equador, uma das grandes fronteiras do tráfico de drogas”.
A intervenção de Petro ocorreu em uma semana crucial para a política externa colombiana, com a iminente reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcada para a próxima terça-feira (3), e a deterioração das relações bilaterais com o Equador, em meio a uma disputa comercial.
Além disso, ele ressaltou a importância de um “pacto” entre América Latina, Caribe e Estados Unidos, no qual a região possa oferecer energia limpa. “É um tema que deve ser discutido com os Estados Unidos, já que a América do Sul e o Caribe possuem quatro vezes mais potencial de energia limpa em um ano do que a demanda energética dos Estados Unidos. E aí está a base de um pacto, como os franceses dizem, ‘voilà’”, afirmou, alertando que “se optarmos por petróleo ou carvão, assim como na Europa, corremos o risco de guerras mundiais”.



