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Hospitais de Ribeirão Preto alertam para risco de superlotação após suspensão de atendimentos de emergência na Beneficência

Hospitais de Ribeirão Preto alertam para risco de superlotação após suspensão de atendimentos de emergência na Beneficência

Hospitais de Ribeirão Preto alertam para risco de superlotação após suspensão de atendimentos de emergência na Beneficência

Hospitais de Ribeirão Preto alertam para possibilidade de superlotação após suspensão de atendimentos de emergência na Beneficência

Hospitais de Ribeirão Preto emitem alerta devido à suspensão dos atendimentos na Beneficência
A determinação judicial que proibiu a transferência de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) para o setor de urgência e emergência do Hospital Beneficência Portuguesa, em Ribeirão Preto (SP), levantou a preocupação com o risco de superlotação nos outros três hospitais da cidade, que passarão a receber essas novas demandas.
As unidades responsáveis por receber esses pacientes serão o Hospital das Clínicas, Santa Casa e Santa Lydia, com uma média de aproximadamente 30 pessoas por dia encaminhadas das unidades de pronto atendimento (UPAs) locais para os hospitais.
Enquanto isso, os atendimentos eletivos, como consultas e cirurgias, continuam sendo realizados normalmente na Beneficência.
A Fundação Santa Lydia, responsável também pelas UPAs de Ribeirão, declarou que está se preparando e fará ajustes no hospital e nas UPAs para acomodar o aumento de encaminhamentos e internações para esses hospitais. Rafael Borella, diretor do hospital, mencionou: “Estamos nos antecipando, prevendo um incremento no número de pacientes encaminhados. É necessário considerar diversos detalhes, não apenas o aumento de leitos, mas também a contratação de novos profissionais, a reorganização dos fluxos de acordo com a gravidade de cada caso. Embora o número de atendimentos nas UPAs permaneça, é provável que haja um aumento no número de pessoas aguardando por uma vaga hospitalar.”
A Unidade de Emergência do Complexo Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HC-UE) informou em comunicado que continuará prestando atendimento na rede de urgência e emergência, mesmo diante do possível aumento da demanda. A instituição ressaltou sua atuação integrada com as centrais de regulação estadual e municipal, adotando medidas para garantir o encaminhamento adequado dos pacientes.
A Santa Casa, por sua vez, afirmou que colaborará no desenvolvimento de alternativas para garantir a assistência às urgências e emergências da população, porém destacou que já lida com um grande volume de atendimentos e opera em um cenário de alta lotação assistencial.
O secretário municipal de Saúde de Ribeirão Preto, Maurício Godinho, reconheceu a questão da superlotação nos hospitais, mencionando que, apesar de já estarem sempre lotados, estão trabalhando para absorver e continuar a absorver esses pacientes neste momento inicial.
O Departamento Regional de Saúde de Ribeirão Preto, representante do estado, informou ter se reunido com representantes dos hospitais para coordenar a regulação dos casos de urgência e emergência para outras unidades hospitalares, tanto no município quanto na região. O DRS assegurou que nenhum atendimento ou assistência aos pacientes será prejudicado.
O professor da Faculdade de Medicina da USP, José Sebastião dos Santos, ressaltou que uma melhora na triagem dos pacientes nas UPAs poderia evitar a superlotação nos hospitais, visto que alguns pacientes não necessariamente precisam de atendimento de emergência. Ele afirmou: “A rede tem capacidade para lidar com as emergências. As equipes de atendimento precisam explorar de forma mais eficiente as diferentes opções disponíveis. Muitos pacientes que buscam atendimento de urgência no hospital poderiam ser encaminhados para consultas programadas em ambulatórios especializados ou hospitalares.”
A decisão de suspender os atendimentos na Beneficência Portuguesa veio em resposta a uma ação civil pública movida pelo Ministério Público, apontando irregularidades graves e persistentes no hospital. Entre os problemas citados estão a falta de enfermeiros em áreas críticas, superlotação, ausência de estrutura adequada para pacientes com bactérias multirresistentes, entre outros.
A Justiça estabeleceu um prazo de 90 dias para que o hospital tome as medidas necessárias, incluindo reorganização de espaços, disponibilização de equipe multiprofissional completa e início das obras de adequação conforme projeto aprovado pela Vigilância Sanitária.
Durante esse período, o município e o estado de São Paulo estão proibidos de encaminhar pacientes para a urgência e emergência da Beneficência.
A Beneficência Portuguesa de Ribeirão Preto esclareceu que a ação civil pública se restringe ao Setor de Pronto Atendimento SUS, devido à necessidade de ajustes estruturais, e que está tomando as medidas necessárias para viabilizar sua execução. A instituição mantém diálogo constante com a Secretaria da Saúde para garantir a continuidade da assistência aos usuários do SUS.
Os demais serviços do hospital seguem operando normalmente, incluindo internações, cirurgias, consultas ambulatoriais, atendimentos a convênios e particulares.

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