Imersões Criativas seguem no Mosteiro Zen Morro da Vargem, em Ibiraçu
O Mosteiro Zen Morro da Vargem, situado em Ibiraçu, mantém ao longo de 2026 a continuidade de seu programa de imersões criativas, uma iniciativa já estabelecida que combina residências artísticas, pesquisa em arte contemporânea e convivência com o cotidiano de um espaço monástico inserido na Mata Atlântica. O projeto é estruturado como um programa contínuo, baseado na estadia temporária de artistas no mosteiro, envolvendo investigação, produção e momentos específicos de interação com o público.
As imersões ocorrem na Estação Cultural, um espaço dedicado a atividades artísticas, educativas e de pesquisa, que serve como local de criação, acompanhamento de processos e interação com visitantes e a comunidade. Durante o período de residência, os artistas desenvolvem seus trabalhos em harmonia com a paisagem, o silêncio e os ritmos do mosteiro, respeitando as práticas e o funcionamento do espaço, ao mesmo tempo em que exploram procedimentos e questões da arte contemporânea.
No âmbito da programação de 2026, a Residência #6 teve início na quarta-feira, 28 de janeiro, com a participação do artista visual Victor Gonçalves (Portugal/SP). Residindo em Lisboa desde 2017, o artista adota uma abordagem transdisciplinar que abrange o desenho expandido, instalação, objetos e performance, com foco nas tensões entre tecnologia e natureza e no colapso como um gesto crítico. Sua formação inclui Geografia (UNESP), História da Arte (IEB-USP) e Desenho pelo Ar.Co, em Lisboa, além de participações em exposições, residências e projetos institucionais no Brasil e na Europa.
Durante sua estadia no mosteiro, o artista se dedicará a uma pesquisa imersiva, sem a obrigação de apresentar resultados conclusivos ou obras finalizadas. A metodologia da residência enfatiza o acompanhamento de processos, a observação do cotidiano e a experimentação, considerando o tempo prolongado de permanência como parte essencial do trabalho artístico. Em sua carta de intenção ao mosteiro, o artista destaca que sua pesquisa dialoga diretamente com o espaço, explorando temas como natureza, repetição e temporalidade, investigando as tensões entre ser humano, natureza e tecnologia, e compreendendo a fragilidade, a falha e o colapso como potencialidades poéticas.
Segundo Victor Gonçalves, a prática contínua do desenho expandido, para além do papel e do lápis, estabelece uma conexão entre uma investigação filosófica e artística e a rotina do Mosteiro Zen Morro da Vargem. O artista expressa ainda que seu objetivo ao participar da residência é explorar a temporalidade da presença, dando continuidade a um projeto iniciado em Portugal, no qual movimentos lentos — do corpo, dos elementos da natureza ou até de mecanismos — promovem o exercício da percepção e da atenção, um processo que se desdobra a partir de materiais simples, livros, papéis, riscadores e dispositivos da cultura maker.
Como parte das atividades de mediação cultural, a residência inclui domingos de visitação abertos ao público e à comunidade, nos dias 1º e 8 de fevereiro, proporcionando aos visitantes o acesso à Estação Cultural, a oportunidade de conhecer aspectos do processo em andamento e participar de conversas com o artista residente. Esses encontros não se configuram como exposições formais, mas como momentos de aproximação entre o público, o artista e o contexto.
As imersões criativas do Mosteiro Zen Morro da Vargem continuam em 2026 como um programa contínuo que integra arte contemporânea, território, educação e meio ambiente, por meio de atividades gratuitas e acesso controlado, respeitando a dinâmica e os princípios do espaço monástico. O programa é viabilizado através da Lei de Incentivo à Cultura Capixaba (LICC), da Secretaria da Cultura do Governo do Estado do Espírito Santo, com patrocínio da EDP e apoio institucional do Mosteiro Zen Morro da Vargem.



