Índia negocia com EUA autorização para importar petróleo venezuelano
Segundo a agência de notícias EFE, a Índia está em negociações com os Estados Unidos em busca de permissão para importar petróleo da Venezuela. O objetivo é estabelecer um “corredor seguro” que não esteja sujeito a sanções, permitindo a aquisição de barris venezuelanos como uma alternativa ao petróleo russo, reduzindo assim a dependência e evitando possíveis sanções comerciais americanas.
A Índia, terceiro maior consumidor de petróleo do mundo, argumenta que suas refinarias necessitam de uma fonte imediata de petróleo pesado para diversificar suas importações, conforme indicaram fontes do setor. Dados da consultoria Kpler, mencionados por essas fontes, revelam uma redução nas importações indianas de petróleo russo, passando de 1,21 milhão de barris por dia em dezembro para 1,1 milhão nas três primeiras semanas de janeiro deste ano, muito abaixo do pico de 2 milhões de bpd registrado em meados de 2025.
Enquanto refinarias estatais como a Indian Oil Corp (IOC) aumentaram suas compras para 470 mil bpd, beneficiando-se de descontos, a gigante privada Reliance Industries não recebeu nenhum carregamento de petróleo russo em janeiro.
O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, conversou por telefone na sexta-feira com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, concordando em fortalecer a cooperação energética, em meio ao primeiro contato de alto nível público desde a operação militar dos EUA e a captura de Nicolás Maduro.
Apesar dos avanços políticos, há relatos de que intermediários estão desviando os primeiros carregamentos venezuelanos para os EUA, devido à rapidez e segurança do trajeto até o Texas, que permite pagamentos em cinco dias, em comparação com os 45 dias de navegação até a Índia. Além disso, as exportações para os EUA estão protegidas por ordens executivas, enquanto envios para a Ásia enfrentam incertezas devido a tentativas de embargo por credores da Venezuela.
A Índia busca garantias de que, caso a autorização dos EUA seja concedida, o petróleo chegará aos seus portos e não será totalmente absorvido pelo mercado americano. No entanto, obstáculos como a participação russa na refinaria Nayara Energy tornam essa operação desafiadora, requerendo a autorização do Departamento do Tesouro dos EUA para o envio de petróleo venezuelano.
Apesar da possível retomada do fornecimento de petróleo entre Venezuela e Índia, a dívida acumulada em dividendos não pagos por empresas estatais indianas junto a Caracas, no valor de 1 bilhão de dólares, representa um impasse. Fontes do setor sugerem um acordo híbrido, no qual a Índia pagaria uma parte em dinheiro para ajudar a Venezuela financeiramente, adiando a recuperação total dos dividendos para um momento de maior estabilidade econômica no país caribenho.
Fonte: Notícias ao Minuto



