Injeção letal em UTI: Coren quer acesso a investigações de mortes no DF
O Coren-DF (Conselho Regional de Enfermagem no Distrito Federal) informou, nesta terça-feira (20), que solicitou um ofício em que pede ao Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF), acesso aos detalhes das investigações do caso dos três técnicos de enfermagem suspeitos de matarem pacientes internados na UTI da unidade hospitalar.
De acordo com o procurador-geral do órgão, Jhonatan Rodrigues, o primeiro passo é a apuração de indícios mínimos para seguimento no processo ético em relação aos profissionais de saúde. “Caso isso seja comprovado, haveria uma suspensão cautelar, suspendendo eles do exercício profissional.”
Além disso, ele afirmou que o Hospital Anchieta negou fornecer informações das ocorrências. A instituição afirmou que “o caso tramita em segredo de Justiça”. Já o presidente do Conselho, Elissandro Noronha, disse que soube do caso por meio de reportagens veiculadas na imprensa.
Com os desdobramentos, o Coren-DF marcou uma reunião para a tarde desta quarta-feira (21) com o delegado responsável pelas investigações, Wisllei Salomão. Rodrigues disse que um novo pedido para acesso às informações será formalizado. O objetivo é receber os dados completos dos profissionais e uma cópia do inquérito policial.
O que sabemos sobre o caso
A Polícia Civil investiga o caso da morte de três pacientes na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Anchieta, em Taguatinga, no Distrito Federal. Três técnicos de enfermagem foram presos suspeitos de assassinar as vítimas, entre novembro e dezembro de 2025.
De acordo com as investigações, as mortes ocorreram em um intervalo de aproximadamente duas semanas. As vítimas identificadas foram João Clemente Pereira, de 63 anos, Miranilde Pereira da Silva, de 75, e Marcos Moreira, de 33 anos.
Em nota, o Hospital Anchieta afirmou que, ao perceber irregularidades em três óbitos ocorridos na UTI, instaurou uma investigação interna. A partir das conclusões do processo interno, foi solicitado o início de um inquérito policial.
Quem eram as vítimas
Os crimes atingiram pacientes com diferentes quadros clínicos e idades. As vítimas confirmadas pela investigação são uma professora, um servidor público e um carteiro.
- Miranilde Pereira da Silva, 75 anos: era professora da rede pública do Distrito Federal, atuou na Regional de Ensino de Ceilândia e lecionou na Escola Classe 03. Em nota, o Sindicato dos Professores do Distrito Federal afirmou que ela deixou um legado de afeto, aprendizagem e cidadania para muitas crianças;
- João Clemente Pereira, 63 anos: era servidor público. Ele era funcionário da Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal), atuando como supervisor de manutenção;
- Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33 anos: era carteiro e funcionário dos CDD (Correios no Centro de Distribuição Domiciliar) de Brazlândia. Uma amiga, nas redes sociais, descreveu Marcos como “amigo, brincalhão e prestativo”, outro disse que “toda aquela alegria jamais será esquecida”. Segundo a polícia, quando interrogado, o técnico de enfermagem negou as acusações, mas acabou confessando após ver os vídeos das câmeras de segurança dos leito.
Quem são os suspeitos
Os técnicos de enfermagem suspeitos foram identificados como Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva.
Marcos Vinícius é investigado por administrar doses letais de medicamentos a pacientes internados na UTI, com o objetivo de matá-los. Segundo os investigadores, ele atuava há pelo menos cinco anos como técnico de enfermagem. Em uma das tentativas, quando não obteve sucesso, ele recorreu a uma medida extrema, injetando desinfetante na veia de uma das vítimas.
Marcela e Amanda estão sendo investigadas por negligência e possível coautoria nos crimes. Conforme apontam as investigações, Amanda trabalhava em outro setor do hospital, mas era amiga de longa data de Marcos. Já Marcela era nova na instituição e recebia instruções do técnico acerca do serviço no setor.
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Cronologia do caso
As aplicações ocorreram em duas datas: 17 de novembro do ano passado e 1º de dezembro. Após as mortes, o hospital identificou pioras súbitas e repetidas em pacientes com quadros clínicos de gravidades diferentes.
Diante disso, a instituição instaurou o comitê interno de análise por iniciativa própria, conduzindo uma investigação que durou menos de 20 dias.
- 11 de janeiro: A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou a Operação Anúbis. Nesta primeira fase, duas pessoas foram presas temporariamente e foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas (GO);
- 15 de janeiro: Ocorreu a segunda fase da operação, com o cumprimento do mandado de prisão temporária da terceira investigada e a apreensão de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia, no Distrito Federal.
Modus operandi
Em entrevista ao Bastidores CNN nesta terça-feira (20), o delegado Maurício Iacozzilli explicou que o técnico Marcos Vinícius era o responsável por administrar as substâncias e, para obter os medicamentos, se passava por médico, acessava o sistema de prescrição hospitalar e alterava as dosagens ou substâncias para valores letais.
As investigações apontam que ele retirava os insumos na farmácia da UTI, preparava as doses e as escondia no jaleco para realizar a aplicação nos leitos. Em um dos episódios, o técnico teria injetado



