Irmã de morto por PM em show diz que 'verdade foi reconhecida' após condenação de autor por 58 anos
Irmã de vítima fatal em show comemora condenação de PM a 58 anos de prisão
PM é sentenciado a 58 anos de reclusão por mortes em show sertanejo em Piracicaba. Camila Alves Cardoso, irmã de Leonardo Victor Cardoso, uma das vítimas fatais do policial militar condenado por duplo homicídio e por disparar contra outras três pessoas durante um evento sertanejo em Piracicaba (SP), celebra a condenação e afirma que a decisão traz honra e respeito à memória de seu irmão.
Leandro Henrique Pereira foi condenado, na madrugada desta quinta-feira (12), a 58 anos e quatro meses de prisão pelo Tribunal do Júri, por dois homicídios duplamente qualificados, além de tentativa de homicídio duplamente qualificada. Cabe recurso da decisão.
O crime ocorreu durante um show no Parque Unileste e os tiros disparados resultaram nas mortes de Leonardo Victor Cardoso, de 25 anos, e Heloíse Magalhães Capatto, de 23 anos. Além disso, outras três pessoas de 20, 21 e 27 anos ficaram feridas pelos tiros.
“Finalmente alcançamos a dignidade que tanto buscávamos. O nome do meu irmão, Leonardo Victor Cardozo, sai deste processo honrado e respeitado”, disse Camila.
Apesar da sentença favorável, Camila enfatiza que a condenação não é motivo de celebração para a família, mas de tranquilidade e reconhecimento.
“Para nossa família, a sentença não é motivo de felicidade, mas sim de tranquilidade, por saber que a verdade foi reconhecida”, finaliza Camila.
O advogado de defesa do PM condenado, Renato Soares, afirmou à EPTV, afiliada da TV Globo em Piracicaba e região, que pretende recorrer. Antes do júri, a defesa alegou que provaria a legítima defesa do policial.
O policial militar Leandro Henrique Pereira foi condenado a 58 anos de prisão por ter causado duas mortes e ferido outras três em um show sertanejo em Piracicaba (SP), em novembro de 2022.
O julgamento, que durou cerca de 20 horas, teve início às 10h de quarta-feira (11), no Fórum de Piracicaba, após sete adiamentos no caso.
Até o primeiro intervalo da sessão, duas vítimas feridas pelos disparos já haviam sido ouvidas. Segundo o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), até o fim da tarde, outras três testemunhas prestaram depoimento.
Segundo a sentença, todos os crimes foram cometidos com dolo eventual e as qualificadoras foram perigo comum e recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa das vítimas.
Os disparos ocorreram após uma briga no show e a Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic) concluiu que a motivação foi um desentendimento durante o evento. A corporação solicitou a prisão preventiva do policial militar após investigação.
Por ser membro da Polícia Militar, o acusado tinha porte de arma em todo o território nacional.
Vídeo mostra momento dos disparos em show em Piracicaba.
Imagens divulgadas nas redes sociais evidenciam os tiros e a confusão no evento. É possível ver os artistas no palco antes dos disparos e a reação do público. Uma pessoa chega a identificar os tiros no vídeo. Após os disparos, a confusão se instaura e as imagens são interrompidas.



