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Israel reabre passagem de Rafah apenas parcialmente e veta presença de Médicos Sem Fronteiras | Mundo

Israel reabre passagem de Rafah apenas parcialmente e veta presença de Médicos Sem Fronteiras | Mundo

Israel reabre passagem de Rafah apenas parcialmente e veta presença de Médicos Sem Fronteiras | Mundo

Título: Israel reabre passagem de Rafah parcialmente e proíbe Médicos Sem Fronteiras | Mundo

Israel anunciou neste domingo (1º) a reabertura parcial da fronteira de Rafah, na Faixa de Gaza, com o Egito, apenas para residentes do território palestino. A reabertura da passagem, crucial para o acesso de ajuda humanitária, estava prevista no plano de paz proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e aprovado por Tel Aviv e pelo grupo Hamas em outubro.

O comunicado foi feito pelo Cogat, órgão do Ministério da Defesa israelense responsável por questões civis em Gaza. “Uma fase piloto teve início em coordenação com a missão da União Europeia (Eubam) e as autoridades competentes”, declarou o órgão.

A circulação de pessoas no local, em ambas as direções, será permitida a partir de segunda-feira (2). Não houve menção, por parte do Cogat, sobre a passagem de ajuda humanitária.

Conforme um representante do Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, aproximadamente 20 mil indivíduos aguardam a reabertura para sair de Gaza e receber tratamento no Egito. A fronteira estava fechada desde maio de 2024, quando o Exército israelense assumiu o controle da passagem.

Neste mesmo domingo, Israel informou que a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) deverá interromper suas operações na Faixa de Gaza por se recusar a fornecer uma lista de seus colaboradores palestinos –uma medida “aplicável a todas as instituições humanitárias que atuam na região”, de acordo com o Ministério da Diáspora israelense, responsável pelo registro das ONGs.

No mês passado, a pasta havia anunciado a proibição do funcionamento de 37 organizações humanitárias, incluindo a Médicos Sem Fronteiras, em Gaza a partir de 1º de março, devido à falta de informações detalhadas sobre os colaboradores palestinos. Conforme o ministério, dois funcionários da MSF estariam ligados ao Hamas e ao Jihad Islâmico, alegações negadas pela ONG.

A Médicos Sem Fronteiras emitiu um comunicado na sexta-feira afirmando ter concordado, de forma excepcional, em compartilhar uma lista parcial de seus colaboradores palestinos e estrangeiros, desde que houvesse garantias claras da segurança por parte do governo israelense.

“Apesar dos esforços contínuos, nos últimos dias ficou evidente a impossibilidade de dialogar com as autoridades israelenses para obter as garantias necessárias”, declarou a ONG, decidindo não compartilhar a lista de colaboradores palestinos e estrangeiros com as autoridades de Tel Aviv.

Embora haja um cessar-fogo, Israel lançou no sábado (31) um de seus ataques aéreos mais intensos da última semana contra a Faixa de Gaza, atingindo uma delegacia administrada pelo Hamas e áreas residenciais que abrigavam palestinos deslocados. Pelo menos 32 pessoas, incluindo três crianças, perderam a vida, conforme autoridades de saúde do território.

Na sexta-feira (30), Israel admitiu pela primeira vez que os bombardeios israelenses na Faixa de Gaza resultaram na morte de pelo menos 25 mil civis ao longo do conflito iniciado em 7 de outubro de 2023, com um ataque terrorista do Hamas, e que teve uma trégua, embora frágil, acordada no ano passado.

As próximas etapas do plano de Trump para Gaza incluem a transferência da administração para tecnocratas palestinos, o desarmamento do Hamas e a retirada das tropas israelenses do território, enquanto uma força internacional mantém a paz e Gaza passa por reconstrução. Até o momento, o Hamas rejeitou o desarmamento e Israel afirmou repetidamente que usará força caso o grupo não ceda pacificamente.