Levantamento mostra que mais da metade das cidades de SP não tem hospitais que fazem partos
Levantamento mostra que mais da metade das cidades de São Paulo não possui hospitais para realização de partos
Um estudo realizado pela equipe da TV TEM revela que 58% das cidades paulistas não contam com serviços de parto. Essa situação se deve à ausência de leitos obstétricos cadastrados no Sistema Único de Saúde (SUS). Em números, 376 dos 645 municípios de São Paulo não possuem leitos obstétricos registrados.
Diante desse quadro, as gestantes necessitam buscar atendimento em cidades vizinhas, hospitais ou maternidades de referência. No entanto, a chegada do bebê pode modificar os planos tanto da família quanto da unidade de saúde.
Em Quatá, município com 13 mil habitantes, Elisa foi o primeiro bebê nascido na cidade nos últimos três anos. Como não há serviço de parto na região, as gestantes são encaminhadas para outras unidades. Contudo, o caso da recém-nascida foi excepcional.
A mãe, Amanda Jéssica Ribeiro dos Santos, cuidadora de idosos, relata que, apesar da rápida chegada da ambulância, não houve tempo para o deslocamento. O parto ocorreu em um pronto-socorro municipal especializado em casos simples, sendo celebrado pela equipe presente.
A cidade de Lucianópolis exemplifica a realidade dos municípios paulistas sem estrutura para partos. Com 2.400 habitantes, o último nascimento local ocorreu há 14 anos. As gestantes que realizam o pré-natal na única Unidade Básica de Saúde da região precisam se dirigir a Bauru ou Duartina, cidades próximas.
Segundo a diretora de Saúde de Lucianópolis, Elaine Xavier, o baixo número de gestantes, com 20 partos em 2024 e 17 em 2025, inviabiliza a criação de uma maternidade na cidade, tanto por questões financeiras quanto de demanda.
Em São Paulo, existem apenas 336 hospitais credenciados pelo SUS para realizar partos, distribuídos em 269 municípios.
Para a Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp), o foco está na eficiência dos deslocamentos das gestantes, mesmo diante da falta de demanda por instituições de parto. É ressaltada a importância de contar com equipe completa, incluindo obstetras, neonatologistas, anestesistas e controle de infecção hospitalar.
Mesmo nascendo em hospitais de cidades vizinhas, as crianças mantêm vínculo com a cidade de origem graças ao Decreto Federal nº 9.256, de 29 de dezembro de 2017, que garante aos pais o direito de escolha da naturalidade do recém-nascido.


/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/m/L/TBQ69nTji4xM9hT7EjkA/ortiz2.jpg)
