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No Dia do Combate à Intolerância Religiosa, ialorixá afirma: ‘Meu povo está perdendo o medo’

No Dia do Combate à Intolerância Religiosa, ialorixá afirma: ‘Meu povo está perdendo o medo’

No Dia do Combate à Intolerância Religiosa, ialorixá afirma: ‘Meu povo está perdendo o medo’

“O meu povo está perdendo o medo. Nossos ancestrais morreram calados por conta do medo. Nós não temos mais medo. A gente vai enfrentar esse sistema racista e fascista. A gente está enfrentando”. A manifestação de Mãe Zana de Odé, Yalorisá do Ilê Asé Odé Ibualamo, que fica em Carapicuíba, na Grande São Paulo, reforça a importância da resistência neste 21 de janeiro, Dia do Combate à Intolerância Religiosa.

Mãe Zana participou como convidada do jornal Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, nesta quarta-feira (21), e falou sobre a luta de seu terreiro, demolido em 2022 após ação de reintegração de posse impetrada pela prefeitura de Carapicuíba (SP). Em 2024, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) alertou que o local deveria ser preservado por conta dos achados arqueológicos da cultura afro-brasileira no local, mas foi ignorado.

“A luta pela permanência naquele lugar tem mais de 30 anos. O terreiro foi constituído a partir da minha família, que tem origem banto e origem iorubana”, relatou. “Lá, foram soterrados diversos patrimônios nossos, do povo negro brasileiro. Hoje está debaixo daquela massa asfáltica. Inclusive a carta de alforria de meu avô”.

O local foi alvo da prefeitura de Carapicuíba sob alegação da necessidade de realização de obras para canalização de um córrego. O processo deixou marcas. Representantes do terreiro que visitaram o local identificaram achados arqueológicos por uma área que se estendia por centenas de metros.

“Nós nunca fomos contra o desenvolvimento urbano. O que a gente sempre pediu é que a gente fizesse parte dele. Propusemos várias formas de desenvolver aquele lugar, promover a melhoria da mobilidade, e nunca fomos ouvidos”, lamentou Mãe Zana.

A ialorixá afirma que a intolerância religiosa no Brasil tem alvos bem definidos: pessoas negras, especialmente mulheres.

“Temos uma forma própria de viver, e isso incomoda. Quando falam em intolerância religiosa, isso tem a ver com a cor das pessoas que estão sofrendo essa intolerância. São pessoas negras e da periferia. Pessoas que têm suas crenças, sua fé, diferente daquilo que está estabelecido para essa sociedade e esse sistema.”

Para mudar o cenário, ela cobra mais diálogo com o poder público. “O Ministério Público Federal precisa nos ouvir. O Ministério da Igualdade Racial precisa compreender que não basta apenas postar frases bonitas na rede social. Precisa ter, efetivamente, programas que atendam nossa demanda, que é a ocupação territorial”, resumiu.

Para ouvir e assistir

BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo. No YouTube do Brasil de Fato, o programa é veiculado às 19h.

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