Novo líder do Irã promete vingança e bloqueio de Hormuz em 1ª fala no posto
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O recém-empossado líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, adotou um tom desafiador em seu primeiro discurso após suceder seu pai, Ali, que faleceu no início do conflito deflagrado pelos Estados Unidos e Israel contra o regime teocrático.
Mojtaba, de 56 anos, declarou que suas forças continuarão efetivamente bloqueando o estratégico Estreito de Hormuz, por onde transita 20% do petróleo e gás natural liquefeito global. Essa medida visa “manter pressão sobre o inimigo”.
O pronunciamento, que foi lido na TV estatal, revela que Mojtaba, geralmente reservado, ainda não apareceu em público desde que foi ferido no início do conflito.
O líder enfatizou o valor da amizade com os países vizinhos, mas reiterou a intenção de atacar as bases americanas localizadas em nações aliadas dos EUA no Oriente Médio. Ele exigiu reparações pelos danos causados pela guerra, ameaçando “destruir os ativos” dos Estados Unidos e de Israel, caso as reparações não sejam feitas.
Além disso, ele prometeu “vingar o sangue derramado dos mártires, especialmente os de Minab”, em referência aos cerca de 180 mortos no bombardeio a uma escola na cidade homônima, a maioria deles estudantes.
O discurso duro, que reflete sua ligação com o setor militar da Guarda Revolucionária, apresentou uma exceção ao mencionar brevemente a oposição ao regime, que protagonizou grandes protestos no início deste ano.
“A unidade entre todos os setores da sociedade não deve ser prejudicada. Isso será alcançado ao deixar de lado as divergências”, afirmou, gerando questionamentos sobre a possibilidade de flexibilizar a repressão do regime ou apelar aos críticos do governo.
Mojtaba, cuja pronúncia é “môdj-ta-bá”, não se manifestava desde domingo, quando assumiu a liderança por uma assembleia de clérigos.
Ele ficou ferido no ataque que vitimou seu pai e outros cinco familiares no primeiro dia do conflito, em 28 de fevereiro. De acordo com a mídia iraniana, ele sofreu lesões leves e quebrou o pé na explosão de um míssil aerobalístico israelense conhecido como Blue Sparrow.
Com um perfil discreto, sempre viveu à sombra de seu pai, mantendo laços com o aparato de segurança liderado pela Guarda Revolucionária.
Contexto Político
Antes de sua morte, Khamenei, que estava doente e com mais de 80 anos, tinha identificado o clérigo radical Ebrahim Raisi como seu sucessor. Contudo, a morte misteriosa do então presidente em um acidente de helicóptero em 2024 e a eleição de Masoud Pezeshkian, mais moderado, alteraram o cenário político.
Os confrontos do pós-7 de Outubro envolvendo Israel e os EUA, bem como o embate direto com esses países em 2025, enfraqueceram ainda mais o regime teocrático. Os protestos contra o governo atingiram seu ápice no início deste ano.
Com a nova guerra e a morte do líder supremo, a Guarda Revolucionária e seu principal representante político, Ali Larijani, lideraram o processo sucessório.
Alguns moderados criticaram a falta de transparência na eleição realizada pela Assembleia dos Especialistas. Mojtaba nunca foi oficialmente designado herdeiro por seu pai e o regime islâmico não prevê a transmissão hereditária do poder, o que fortaleceu a posição da Guarda neste momento.
Por outro lado, Pezeshkian, que já não tinha uma presidência forte, viu seu poder ainda mais enfraquecido. Sua oferta de desculpas aos países vizinhos foi ignorada pelos militares, que intensificaram suas ações no Golfo Pérsico. Sua proposta de encerrar a guerra em termos favoráveis não foi levada a sério, já que Trump detém a autoridade nesta questão.
A incerteza agora gira em torno da capacidade de Mojtaba de assumir o controle da situação e de agir independentemente da Guarda, que tem intensificado a guerra na esperança de pressionar Trump devido ao impacto econômico no mercado de petróleo.
Nesta quinta-feira, Larijani reforçou a mensagem do líder supremo, enfatizando que “iniciar guerras é fácil, mas encerrá-las não se resume a alguns tweets”. Ele declarou que não dará trégua até que o inimigo reconheça seu erro e pague o preço.
Apesar da postura do líder supremo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que muitos navios ainda podem atravessar o Estreito de Hormuz se coordenarem com a marinha iraniana.
“Após os eventos recentes, em linhas gerais, não podemos retornar às condições anteriores a 28 de fevereiro”, disse Baghaei em declarações divulgadas pela agência de notícias Mehr.
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