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Número de mortos em chacinas policiais dobram em Rio, Salvador, Recife e Belém, diz ONG

Número de mortos em chacinas policiais dobram em Rio, Salvador, Recife e Belém, diz ONG

Número de mortos em chacinas policiais dobram em Rio, Salvador, Recife e Belém, diz ONG

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – As áreas metropolitanas do Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), Recife (PE) e Belém (PA) registraram aumento nos índices de violência policial durante o ano de 2025, conforme relatório anual do Instituto Fogo Cruzado, organização não governamental que monitora conflitos armados há uma década.

O levantamento revela que houve um total de 346 vítimas em “chacinas policiais” nessas áreas metropolitanas, em ocorrências onde agentes de segurança pública deixaram três ou mais pessoas mortas.

Esse número mais que dobrou em comparação às 172 mortes registradas sob as mesmas circunstâncias no ano anterior. O Instituto não emite opinião sobre a legalidade dessas ações, que frequentemente levam anos para serem avaliadas pela Justiça.

A maior parte do acréscimo na letalidade policial ocorreu devido às 121 mortes na operação contra o Comando Vermelho nos complexos da Penha e do Alemão, na região norte do Rio, em 28 de outubro. Essa ação superou o Massacre do Carandiru e se tornou o incidente policial com maior número de vítimas da história do país.

Mesmo sem incluir as mortes decorrentes da operação no Rio, o ano passado teria registrado mais casos do que em 2024.

O Instituto Fogo Cruzado também observou que houve um aumento simultâneo nos confrontos armados por disputa de território. Esses embates envolvem facções criminosas competindo entre si e com milícias. Foram documentados 445 tiroteios motivados por interesses no controle territorial no ano passado, representando um aumento de 15% em relação a 2024.

Apenas na região metropolitana do Rio, ocorreram 275 tiroteios motivados por disputas territoriais – um recorde desde 2017, quando a entidade começou a monitorar esses conflitos. Ao longo do ano, 180 pessoas morreram nessas situações de confronto armado, segundo o instituto.

O bairro de Vicente de Carvalho, na zona norte do Rio, foi a área mais afetada por esse tipo de conflito, com 36 registros de tiroteios no ano. O relatório destaca: “A região é marcada por um conflito histórico entre o Comando Vermelho, que controla o Complexo do Juramento, e o Terceiro Comando Puro, presente no Complexo da Serrinha”.

Em Salvador, foram 520 mortes em ações policiais, um aumento de 6 em comparação com o ano anterior. Houve uma redução no número de tiroteios registrados na capital baiana, e a participação das forças policiais nos confrontos armados foi de 44%, a maior nos últimos três anos em que o Fogo Cruzado monitorou a região.

Recife viu um aumento no número absoluto de tiroteios e de pessoas baleadas durante ações policiais. A proporção foi de cerca de 6% em relação a todos os tiroteios registrados no ano.

O relatório destaca que foram contabilizados 46 tiroteios motivados por disputas entre grupos armados na capital pernambucana e arredores, representando um aumento de 650% em relação a 2024.

Em Belém, houve uma redução no total de tiroteios e mortes, inclusive em ações policiais. No entanto, o número de chacinas policiais registradas aumentou de 4 para 6, indicando uma gravidade crescente desses eventos.

Aproximadamente 33% de todos os confrontos registrados nas quatro áreas metropolitanas em 2025 ocorreram durante ações policiais, segundo a entidade. No ano anterior, a participação da polícia nos tiroteios registrados havia sido de 29%.

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