O carnaval foi ruim pra Lula?
O desempenho de Lula no Carnaval
Lula marcou presença em eventos de Carnaval em Recife, Salvador e Rio de Janeiro, tornando-se o primeiro presidente em exercício a participar do Carnaval de rua de Salvador.
Em Recife, Lula compareceu ao Galo da Madrugada, sendo alvo de disputas políticas entre a governadora e o prefeito. Em Salvador, os trios elétricos entoaram cânticos de apoio ao presidente.
No Rio de Janeiro, Lula foi homenageado com um samba-enredo na Marquês de Sapucaí, que exaltou sua trajetória, marcando sua presença em três grandes festas populares.
A participação de Lula no Carnaval foi vista como um contraponto à narrativa de isolamento político, demonstrando apoio popular e engajamento com a cultura brasileira.
Parte da mídia apressou-se em construir uma narrativa de que o Carnaval teria sido desfavorável para o presidente Lula. Porém, é válido questionar de onde surge essa conclusão. Quando a presença nas maiores festas populares do país e a recepção calorosa nas ruas se tornaram sinais de desgaste? Antes de aceitar tal manchete pronta, é importante questionar se estamos lidando com fatos ou com uma narrativa construída.
Há uma grande diferença entre o que alguns editoriais esperam que aconteça e o que de fato ocorre nas ruas do Brasil. Trata-se do presidente que, aos 80 anos, iniciou o sábado de Carnaval em Recife, no Galo da Madrugada, o maior bloco do país, junto com uma multidão que transcende estatísticas apressadas e análises enviesadas. Lula não apenas compareceu, mas também foi disputado politicamente, encontrando-se entre dois palanques, o da governadora Raquel Lyra, do PSD, e o do prefeito João Campos, do PSB, que também é candidato ao governo estadual. Ele foi saudado, aplaudido e abraçado.
Vestindo a camisa do Pitombeiras, Lula reafirmou simbolicamente seu compromisso histórico com o cinema nacional e a cultura brasileira. Após um período de destruição do Ministério da Cultura e tentativas de asfixia cultural no país, a escolha estética também se torna uma escolha política.
À noite, Lula estava em Salvador, no circuito Campo Grande, fazendo história ao ser o primeiro presidente em exercício a participar oficialmente do Carnaval de rua da capital baiana. Os trios elétricos entoaram “Sem Anistia”, com o povo cantando “Olê, Olê, Olá, Lula, Lula”. Essa cena desmontou a narrativa da extrema direita de que o presidente “não pode sair à rua”. Ele pode, sai e é reconhecido.
Um momento particularmente simbólico ocorreu quando um jovem violinista tocou “Lula Lá” e revelou que seu primeiro violino foi adquirido por meio de um programa federal de incentivo à cultura. Ali estava representada uma política pública completa: acesso, oportunidade e mobilidade social. O menino que recebeu o instrumento graças a uma política pública criada por Lula agora tocava para o presidente que criou as condições para que ele sonhasse.
Enquanto Lula dançava ao som da BaianaSystem, entoando o coro de “Sem Anistia!”, a mensagem tornou-se ainda mais clara: o Carnaval é festa, mas também é memória e posicionamento. O Brasil que dança é o mesmo que clama por justiça. Não há contradição entre alegria e firmeza democrática.
No domingo, o presidente seguiu para o Rio de Janeiro, sendo homenageado na Marquês de Sapucaí, tornando-se o primeiro presidente em exercício a receber tal honra. A Acadêmicos de Niterói levou para a avenida um samba emocionante, assinado por nomes como Fred Camacho e Teresa Cristina, exaltando a trajetória do retirante nordestino, metalúrgico e sindicalista que enfrentou adversidades e nunca deixou de acreditar na democracia.
Autora: Camila Moreno, professora, Doutoranda em Educação e Secretária Nacional Adjunta de Comunicação do PT



