PF inicia processo que deve provocar demissão de Eduardo Bolsonaro
PF inicia procedimento que pode resultar na demissão de Eduardo Bolsonaro
Eduardo Bolsonaro, deputado cassado. Foto: Saul Loeb/AFP
A Corregedoria da Polícia Federal no Rio de Janeiro iniciou, na última terça-feira (27), um processo administrativo disciplinar sumário contra Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por ausências não justificadas no serviço. A investigação tem o potencial de levar à perda do cargo de escrivão da Polícia Federal em Angra dos Reis (RJ), posição conquistada por meio de concurso público. As informações são do Metrópoles.
O procedimento foi instaurado para apurar a responsabilidade de Eduardo em relação às faltas ao trabalho por mais de 30 dias consecutivos sem apresentação de justificativa formal, após ter seu mandato de deputado federal cassado pela Câmara, em 18 de dezembro de 2025. Desde então, todas as ausências foram registradas no sistema funcional como “injustificadas”, de acordo com a PF.
Após a cassação do mandato, a Polícia Federal ordenou o retorno imediato de Eduardo Bolsonaro às atividades na corporação. Um decreto publicado no Diário Oficial da União em 2 de janeiro deste ano determinou que ele se reapresentasse na lotação original, no Rio de Janeiro, “para fins meramente declaratórios e de regularização da situação funcional”.
A decisão também alertou que a ausência não justificada poderia acarretar na “adoção das medidas administrativas e disciplinares cabíveis”.
Eduardo ocupa a função de escrivão da PF, cujo salário inicial é de R$ 14.164,81 e pode chegar a R$ 21.987,38 ao final da progressão na carreira. Apesar da determinação oficial, ele não retornou ao cargo. Desde fevereiro de 2025, Eduardo reside nos Estados Unidos e se autodenomina “autoexilado”, alegando ser vítima de “perseguição” por parte do Supremo Tribunal Federal (STF).
Após ser cobrado pela PF, Eduardo divulgou um vídeo nas redes sociais no qual afirmou que não acataria a ordem de retorno. O deputado cassado declarou: “Não abdiquei de todos os privilégios parlamentares para me submeter aos caprichos dos bajuladores de tiranos que lideram a Polícia Federal. Que a Gestapo faça o que bem entender com meu cargo público, nunca trocaria minha honra por um emprego na burocracia estatal”.
No mesmo vídeo, ele alegou não ter condições de regressar ao Brasil, citando a falta de “normalidade democrática” no país e uma suposta “perseguição judicial”. Eduardo também afirmou que não pretende abrir mão do cargo “facilmente” e que lutará para mantê-lo, mencionando o receio de perder direitos como a aposentadoria ligada à PF, o porte de arma e a pistola funcional.
Além do processo por faltas injustificadas, Eduardo Bolsonaro já está sendo alvo de outro procedimento administrativo disciplinar na Polícia Federal. Conforme revelado em outubro do ano passado, ele é alvo interno de acusações de improbidade, insubordinação grave e transgressões ao decoro da função, com base no artigo 132 da Lei nº 8.112/90, devido à sua atuação nos Estados Unidos contra o Brasil.



