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planta inédita é identificada por pesquisador

planta inédita é identificada por pesquisador

planta inédita é identificada por pesquisador

O cientista Alexandre Magno fez história ao encontrar uma nova espécie de planta pertencente ao gênero “Philodendron”, nativa e exclusiva do Espírito Santo. A princípio, o nome pode não parecer notável, mas muitas pessoas podem reconhecer e talvez já tenham visto parentes dessa planta, conhecida como “imbé-das-areias”.

A planta, que faz parte da mesma família de outras espécies conhecidas, que podem estar presentes até mesmo em seu jardim, como taioba, comigo-ninguém-pode, jiboia, antúrio e lírio-da-paz, foi avistada pela primeira vez em janeiro de 2024.

O pesquisador, graduado em História pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e mestrando na Escola Nacional de Botânica Tropical do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, relatou que avistou a espécie pela primeira vez em Domingos Martins, Região Serrana do Espírito Santo. No entanto, ao se deparar com ela pela primeira vez, encontrou frutos, e para confirmar que se tratava de uma nova espécie, era necessário localizar as flores.

“Quando inicialmente encontrei a planta, apenas frutos estavam presentes. Para certificar que se tratava realmente de uma nova espécie, era crucial observar as flores”, explicou. “Em 2025, descrevi a espécie, e a publicação ocorreu no final do ano”, contou.

Nova espécie identificada em ambientes de quartzo

Após encontrar a espécie, o pesquisador precisava nomeá-la. Assim, decidiu batizá-la de “Philodendron quartziticola“, devido ao fato de a planta se desenvolver em ambientes de quartzo.

“Na Região Serrana, existem formações conhecidas popularmente como ‘morros de sal’. Quando o quartzo se decompõe, forma grandes áreas de areia branca, que de longe se assemelham a sal. É nesse tipo de ambiente que essa espécie de Philodendron é encontrada”, explicou.

Parente de outra nova espécie capixaba

A descoberta de Alexandre é, por coincidência, parente de outra planta recentemente observada no estado, o “Anthurium petraeum“, uma nova espécie de antúrio encontrada no distrito de São Rafael, em Linhares, região Norte do Espírito Santo.

Embora pertençam à mesma família, as duas plantas são de gêneros diferentes, o que indica que são parentes distantes em termos evolutivos.

Para ilustrar essa relação, o pesquisador explica por meio de uma analogia: imagine você e um primo de quarto grau. Vocês são parentes, pois pertencem à mesma família, mas seus DNAs são distintos, conforme explicado pelo pesquisador.

“É o caso destas duas espécies. Anthurium e Philodendron são parte da mesma família, a família Araceae, contudo, em termos de parentesco genético, estão distantes em sua linhagem. São parentes por estarem na mesma família, mas representam gêneros diferentes”, esclareceu.

Além disso, uma grande diferença entre as duas espécies é o habitat. Segundo Alexandre, o Philodendron é encontrado em áreas de quartzo, enquanto o Anthurium petraeum recebeu esse nome devido ao seu habitat em ambientes rochosos, daí o nome: antúrio das pedras.

A respeito de sua descoberta de uma nova espécie, o pesquisador, que também administra a página @araceologo no Instagram, expressou que participar de um momento como esse representa uma grande conquista profissional.

“Em fevereiro de 2025, outra espécie que descobri em Santa Teresa foi publicada. É extremamente gratificante contribuir para o conhecimento de nossa flora”, compartilhou o pesquisador, acrescentando que o reconhecimento da biodiversidade é o primeiro passo para sua preservação.

“Somente quando temos ciência da existência de uma espécie podemos considerar estratégias de conservação e políticas públicas para protegê-la”, afirmou.

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