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Por que ‘Zootopia 2’ virou um fenômeno de bilheteria e qual o papel da China nisso

Por que ‘Zootopia 2’ virou um fenômeno de bilheteria e qual o papel da China nisso

Por que ‘Zootopia 2’ virou um fenômeno de bilheteria e qual o papel da China nisso

GUILHERME LUIS
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Os personagens de “Zootopia 2” conquistaram o título de animação americana com maior arrecadação de todos os tempos. Superando “Divertida Mente 2” da Pixar, que emocionou o público há dois anos, o novo filme ultrapassou a marca de US$ 1,7 bilhão, tornando-se a nona maior bilheteria da história.

Entretanto, internacionalmente, outra animação se destacou. “Nhe Zha 2”, produção chinesa lançada no ano anterior, obteve uma arrecadação de US$ 2,25 bilhões, sendo 97,8% provenientes da China. Essa proporção levou parte da imprensa internacional a não considerar o filme como uma das dez maiores bilheterias do mundo.

O argumento se baseia no fato de a China possuir a maior população do mundo, aproximadamente 1,40 bilhão de habitantes, quatro vezes mais do que os Estados Unidos. Embora isso não garanta necessariamente altas receitas de bilheteria, o tamanho do mercado cinematográfico chinês faz com que o sucesso local tenha um impacto desproporcional.

Curiosamente, foi a China que impulsionou o sucesso de “Zootopia 2”. A animação da Disney quebrou uma série de recordes no país asiático, incluindo o de maior arrecadação para um filme importado, com mais de US$ 610 milhões, superando “Vingadores: Ultimato”. O filme arrecadou US$ 150 milhões a mais do que “Moana 2”, outra sequência de sucesso recente da Disney.

Além da bilheteria, “Zootopia” se tornou um fenômeno cultural na China. O parque da Disney em Xangai possui uma área dedicada aos filmes da franquia, com brinquedos, atores caracterizados como os personagens e restaurantes temáticos.

A trama foi cuidadosamente elaborada para ressoar simbolicamente na cultura chinesa. O novo protagonista, a cobra Gary De’Snake, luta por justiça em favor dos répteis, grupo marginalizado na metrópole animal. O personagem se tornou uma sensação no país, especialmente por ter sido lançado no Ano da Serpente no zodíaco chinês, período em que a serpente ocupava um lugar proeminente no imaginário cultural da sociedade.

O filme também apresenta outras referências à cultura chinesa, como a cena em que Gary e sua família abraçam a coelha Judy Hopps, associada à ideia de cobras envolvendo coelhos, um símbolo cultural do norte da China que representa boa sorte.

Além da China, “Zootopia 2” teve bom desempenho no Japão e na Coreia do Sul. A Disney tem observado com atenção o mercado asiático desde a popularidade crescente do alienígena de “Lilo e Stitch” na região cerca de seis anos atrás. Essa tendência foi identificada como uma febre por personagens animalescos antropomórficos, como a coelha Judy e a raposa Nick Wilde, protagonistas de “Zootopia”.

“Estamos acompanhando essa tendência”, afirmou Mara Ronchi, executiva brasileira líder de produtos de consumo da Disney, em entrevista ao jornal Folha no ano passado. “Investimos no varejo, buscamos parcerias, trouxemos o Stitch para feiras de cultura pop e criamos atrações em shoppings.”

“Zootopia” deve continuar sendo um destaque da Disney e possivelmente ganhar uma nova sequência, embora ainda não tenha sido oficialmente anunciada. Uma cena pós-créditos do segundo filme sugere a presença de aves na próxima narrativa.

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