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Preços de alimentos disparam na Venezuela após sequestro de Maduro pelos EUA

Preços de alimentos disparam na Venezuela após sequestro de Maduro pelos EUA

Preços de alimentos disparam na Venezuela após sequestro de Maduro pelos EUA

Clientes fazem compra de verduras, legumes e frutas em mercado de Caracas. Foto: Ding Hongfa/Xinhua

A Venezuela, após o sequestro de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, enfrenta um cenário de incertezas e aumento dos preços de alimentos e itens essenciais. A presidente interina, Delcy Rodríguez, anunciou um projeto de lei para “proteger os direitos socioeconômicos dos cidadãos” e tentar controlar a inflação especulativa.

“Está tudo caríssimo. Não tenho como comprar alimentos com este benefício que ganho. Estou pedindo ajuda a amigos (para conseguir comida). Dias antes do que aconteceu, a caixa grande de ovos custava US$ 6. Agora está em US$ 8 (o equivalente a R$ 42). Não dá. O que já era caro, ficou ainda mais”, reclamou uma professora de dança de 65 anos.

Com o dólar variando em diferentes cotações, a economia da Venezuela segue instável. O salário mínimo, que antes equivalia a US$ 3, agora foi reduzido a cerca de US$ 0,42. A alta especulativa tem gerado descontrole nos preços, como apontado por um mototaxista de 47 anos que luta para ganhar o suficiente para sustentar sua família: “Preciso fazer pelo menos o equivalente a US$ 50 por dia ou não consigo levar comida para casa”.

A ameaça de uma nova hiperinflação, como a vivida entre 2016 e 2021, tem preocupado a população, com o bolívar perdendo valor. Especialistas ouvidos pelo UOL afirmam que, se não houver uma ação imediata, o país pode retornar à hiperinflação, já que a moeda tem sofrendo uma desvalorização de 1,5% diariamente.

Eles explicam que a escassez de dólares no mercado e a desvalorização da moeda nacional são as principais causas da instabilidade monetária. A população, ciente dessa fragilidade, tem se preparado para possíveis dificuldades, investindo em bens duráveis como alimentos.

Feira popular de rua em Caracas. Foto: Leonardo Fernandez Viloria/Reuters

O medo da escassez, que marcou a história recente da Venezuela, também voltou a crescer. Muitos venezuelanos lembram da grave falta de produtos entre 2013 e 2019. Embora o governo tenha garantido que as reservas de alimentos são suficientes para 111 dias, o aumento dos preços e a falta de controle nos mercados estão gerando insegurança.

“Semana passada comprei um quilo de Harina Pan por U$ 1,10. Ontem foi U$ 1,45. Não sei onde vamos parar”, relatou uma diarista.

A flexibilidade na importação de alimentos durante a gestão de Maduro, a fim de suprir a escassez, é vista como uma medida necessária, mas o comércio interno continua marcado por preços elevados e descontrole. A grande desvalorização do bolívar e a flutuação do dólar dificultam a negociação e o controle dos preços. Comerciantes, muitas vezes, aguardam que os atacadistas definam os valores antes de repassá-los para os consumidores.

Algumas pessoas que vivem em Caracas afirmam que “comerciantes estão abusando” dos preços e que precisam ir a outras cidades comprar comida.

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