Premiê da Groenlândia alerta população sobre invasão
Primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik NielsenFoto: Instagram/Reprodução/ND Mais
O governo da Groenlândia pediu que seus cidadãos se preparem para uma possível invasão dos Estados Unidos. Em uma coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (20), o primeiro-ministro Jens-Frederik Nielsen recomendou que as famílias façam estoques de comida e anunciou a distribuição de panfletos com orientações de emergência.
A medida acontece em meio às declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, que afirmou “não haver volta atrás” em seu objetivo de controlar a ilha ártica, sem descartar o uso da força.
Preparação doméstica e força-tarefa da Groenlândia
Diante da escalada de tensão, o governo da Groenlândia instituiu uma força-tarefa para orientar a população sobre como agir em caso de conflito. Embora Nielsen considere o confronto militar “improvável”, ele ressaltou que a postura de Washington não permite complacência.
“O líder do outro lado deixou bem claro que essa possibilidade não está descartada. Portanto, devemos estar preparados para tudo”, declarou o premiê, referindo-se a Trump.
Donald Trump afirma que “não há volta atrás” no plano de controlar a Groenlândia para viabilizar seu escudo antimísseis “Domo de Ouro”Foto: Foto: Joey Sussman/Shutterstock/Reprodução/ND Mais
O valor estratégico e o “Domo de Ouro”
A obsessão da Casa Branca pela Groenlândia, território sob soberania da Dinamarca, intensificou-se desde o início do segundo mandato de Trump, há um ano.
O presidente americano classifica a ilha como “vital” para a construção do Domo de Ouro, um ambicioso escudo antimísseis projetado para proteger o território norte-americano.
A pressão dos EUA, no entanto, coloca em xeque a própria coesão da Otan. Como a Groenlândia integra a aliança ocidental, uma agressão americana poderia desmantelar a estrutura de segurança que sustenta o Ocidente há décadas. “Se houver uma escalada ainda maior, isso terá consequências para todo o mundo exterior”, alertou Nielsen.
Trump já sinalizou interesse no território da GroenlândiaFoto: Reprodução Annie Spratt/Unsplash
A tensão ecoou na Europa. A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, descreveu o momento atual como um “capítulo sombrio” da história moderna. Em discurso ao Parlamento dinamarquês, ela foi enfática ao prever que a crise pode piorar: “Infelizmente, o pior não ficou para trás, mas ainda está à nossa frente”.


