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Projeto de incentivo a núcleos esportivos em comunidades beneficia cerca de mil crianças e adolescentes só na Zona Sul do Rio

Projeto de incentivo a núcleos esportivos em comunidades beneficia cerca de mil crianças e adolescentes só na Zona Sul do Rio

Projeto de incentivo a núcleos esportivos em comunidades beneficia cerca de mil crianças e adolescentes só na Zona Sul do Rio

Com o objetivo de fortalecer a formação cidadã em territórios marcados pela vulnerabilidade social, o projeto Ecoar incentiva a manutenção de núcleos esportivos em comunidades de todo o estado do Rio. Só na Zona Sul, a iniciativa está presente em oito localidades: Santo Amaro, Santa Marta, Tabajaras, Cantagalo, Rocinha, Pavão-Pavãozinho, Bairro Peixoto e Praia de Copacabana.

O Ecoar é um projeto socioesportivo financiado com recursos do governo federal que atua hoje em 87 núcleos distribuídos por 42 municípios fluminenses. Cada núcleo atende, em média, a de 80 a 120 crianças e adolescentes, que precisam estar matriculados na rede pública de ensino para participar das atividades. Em alguns territórios, como o Complexo do Alemão, na Zona Norte, onde o Ecoar mantém dois núcleos, o projeto também ajudou a identificar crianças fora da escola e a reaproximá-las do sistema educacional.

Além das aulas esportivas, com forte presença de modalidades de luta, o Ecoar investe na estrutura necessária para o funcionamento dos núcleos. O projeto garante o pagamento dos profissionais, que vai de um salário mínimo para instrutores e auxiliares até R$ 1.900 para professores, e também a compra de materiais como tatames, equipamentos e quimonos, que são distribuídos gratuitamente aos alunos. Todos os profissionais contratados precisam ser moradores da própria comunidade.

“Entendemos que muita gente no estado do Rio já desenvolve seu projeto social. Então, o que fazemos é abraçar esse núcleo que já existe e entrar com o recurso. Entramos dando esse combustível,” explica Dudu Dantas, embaixador do projeto Ecoar.

Ex-campeão de MMA, comentarista do canal Combate e do SporTV, Dantas nasceu e foi criado no Morro Santo Amaro, entre a Glória e o Catete. No Ecoar, ele é responsável pela curadoria dos projetos, a fiscalização dos núcleos esportivos e a divulgação das iniciativas. Para ele, a continuidade é o principal diferencial do programa.

“O Ecoar já está indo para o quinto ano. Diferentemente de outros projetos, que começam e logo são interrompidos, a gente visa a continuidade. Para um núcleo receber incentivo, o professor precisa estar atuando há pelo menos 12 meses por conta própria. Assim, se o projeto acabar, a gente sabe que as crianças não vão parar de praticar atividade física,” afirma.

Cada núcleo emprega três pessoas: um professor, um instrutor e um auxiliar. Segundo Dantas, a opção pelas artes marciais também não é aleatória.

“As lutas ajudam a trabalhar disciplina. Quando a gente coloca a competitividade dentro das artes marciais, a criança treina mais, estuda mais, dorme cedo. A gente planta a sementinha de que tudo vem através do trabalho duro e da disciplina,” diz.

O projeto também mantém parcerias institucionais, como com a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), para desenvolver ações socioeducativas. Entre elas estão cursos de capacitação para professores de luta, formação voltada à inclusão de crianças com autismo e iniciativas ligadas ao empreendedorismo dentro das artes marciais.

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“O esporte pode levar você ao topo, mas, para continuar crescendo, você precisa da educação,” resume Dantas.

Os recursos do Ecoar vêm de emendas parlamentares do governo federal e passam por diferentes etapas de fiscalização. De acordo com o embaixador, o projeto já teve todas as prestações de contas aprovadas por órgãos como a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Tribunal de Contas da União (TCU).

A relação de Dantas com o Ecoar começou de forma despretensiosa, ainda durante a pandemia, quando foi convidado a ajudar a fazer a ponte entre financiadores e projetos esportivos já existentes nas comunidades.

“Eu atuo com projetos sociais desde 2003. Como sempre fui atleta, busquei recursos fora para levar para o Santo Amaro. Com a pandemia, recebi o convite para integrar o Ecoar, que é um projeto com recurso federal e estrutura formal,” conta.

Em 2022, ele passou a integrar ao Ecoar os professores do Morro dos Campeões, projeto social que coordena desde 2007. Com o surgimento de novas vagas, indicou outros núcleos de comunidades onde já conhecia o trabalho dos professores.

“A gente abraça quem pode, porque não tem recurso para todo mundo,” afirma.

Com o tempo, essa relação se intensificou, até que Dantas assumiu oficialmente o papel de embaixador da iniciativa.

“Sou um agente de transformação social. Como sou fruto de projeto social, sempre acreditei que precisava devolver um pouco de tudo o que a luta me deu,” diz.

Para garantir a qualidade das atividades e a correta aplicação dos recursos, o Ecoar mantém um sistema rigoroso de acompanhamento dos núcleos, com controle de presença, registros fotográficos e relatórios periódicos.

“É um ecossistema grande, mas necessário para garantir tanto a qualidade do serviço quanto a transparência na prestação de contas,” conclui Dantas.

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