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Promotoria aciona sindicato dos professores de SP por evento que celebrou ataques do Hamas

Promotoria aciona sindicato dos professores de SP por evento que celebrou ataques do Hamas

Promotoria aciona sindicato dos professores de SP por evento que celebrou ataques do Hamas

Por André Fleury Moraes

O Ministério Público de São Paulo entrou com uma ação contra o Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo (Apeoesp) por ceder seu auditório para um evento do PCO (Partido da Causa Operária) que comemorou, segundo o órgão, os dois anos do atentado realizado pelo grupo terrorista Hamas contra Israel.

A ação busca que o sindicato seja condenado a pagar uma indenização de R$ 120 mil por danos morais coletivos.

A Apeoesp afirmou não ter relação com o evento e reiterou declarações feitas no ano anterior, quando o caso teve repercussão.

Em nota, afirmou que “não apoia a violência como meio político e não compactua com a glorificação de ações violentas”, acrescentando que o auditório é regularmente cedido “para atividades de entidades, movimentos e até órgãos públicos”.

Também explicou que o espaço foi solicitado pela corrente Educadores em Luta, composta por professores vinculados ao sindicato, e que manifesta apoio ao povo palestino.

“Exigimos o fim do genocídio em curso na Faixa de Gaza e das ações militares e agressões ilegais em outras áreas do território palestino”, declarou na época.

O evento ocorreu em 7 de outubro do ano anterior, mesma data dos ataques do Hamas em 2023, e foi intitulado “Guerra de resistência contra o genocídio na Palestina — 2º aniversário da Operação Dilúvio de Al-Aqsa”.

Para o Ministério Público, o evento “ultrapassou os limites da liberdade de expressão, assumindo um caráter discriminatório, com apoio indireto ao terrorismo e disseminação de discurso de ódio contra o povo judeu”.

A Promotoria apontou que a Apeoesp tinha conhecimento do evento e “nada fez para impedir, suspender ou condicionar sua realização”. Acrescentou que o sindicato não tomou “nenhuma medida de precaução ou fiscalização em relação ao conteúdo que seria divulgado em suas instalações”.

“Essa omissão permitiu o uso do espaço institucional de uma entidade sindical de grande importância social para propagar um discurso que viola diretamente os valores constitucionais da igualdade, da dignidade humana e da rejeição ao racismo, especialmente o antissemitismo”, disse o órgão.

Segundo o Ministério Público, “o discurso de ódio contra o povo judeu, contra o Estado de Israel, bem como as notícias falsas e enganosas sobre um povo, afetam a qualidade da democracia brasileira”.

Também destacou que “não se pode ignorar [que o evento] ocorre em um contexto de aumento de grupos neonazistas no Brasil”, mencionando questões como o genocídio do povo judeu.

O PCO — que não é alvo da denúncia — expressou solidariedade à Apeoesp e protestou, em nota, “contra a escalada repressiva e autoritária dos órgãos de repressão do Estado, que tomam decisões que implicam o fim da liberdade de expressão e manifestação, especialmente para silenciar denúncias sobre o massacre evidente na Palestina”.

Afirmou também que “não se trata de considerações éticas ou religiosas, mas simplesmente de uma guerra colonial contra mulheres, crianças e cidadãos palestinos desarmados e vulneráveis”.

O evento no auditório da Apeoesp ocorreu antes de um cessar-fogo na Faixa de Gaza assinado pelo presidente Donald Trump, dos EUA, com representantes do Egito, Qatar e Turquia, em outubro do ano anterior — mesmo com o cessar-fogo, os ataques continuam.

O presidente agora aposta em um Conselho de Paz criado por ele mesmo e destinado, segundo os Estados Unidos, à reconstrução de Gaza. Apesar da proposta inicial, Trump já demonstrou interesse além do território palestino, e especialistas temem que o órgão possa, de alguma forma, enfraquecer a ONU (Organização das Nações Unidas).

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