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Quebra do Banco Master já custa mais de R$ 50 bi, com perdas para FGC, BRB e fundos de pensão

Quebra do Banco Master já custa mais de R$ 50 bi, com perdas para FGC, BRB e fundos de pensão

Quebra do Banco Master já custa mais de R$ 50 bi, com perdas para FGC, BRB e fundos de pensão

(FOLHAPRESS) – Os custos resultantes da falência do Banco Master, sob controle de Daniel Vorcaro, já ultrapassam R$ 50 bilhões, conforme dados divulgados até o momento.

Apenas os montantes a serem reembolsados aos clientes pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos), mantido com recursos dos próprios bancos, estão estimados em R$ 46,9 bilhões. Destes, R$ 40,6 bilhões estão relacionados ao Banco Master e outras instituições do conglomerado, enquanto R$ 6,3 bilhões correspondem ao Will Bank.

O valor total das perdas ainda é incerto. Estão sendo apurados os danos causados ao BRB (Banco de Brasília), fundos de pensão e empresas públicas e privadas.

Banco de Brasília
Uma investigação independente em andamento está apurando os prejuízos causados ao BRB pelo banco de Daniel Vorcaro. O Banco Central determinou que o BRB reserve R$ 2,6 bilhões para cobrir perdas ligadas à aquisição de carteiras de crédito fraudulentas avaliadas em R$ 12,2 bilhões.

Até a data da liquidação do Banco Master, o BRB já havia recuperado cerca de R$ 10 bilhões. O banco estatal está avaliando a possibilidade de um aporte adicional. Um artigo da Folha de S.Paulo revelou que o Master usou fundos com empréstimos em atraso e propriedades da família Vorcaro para realizar pagamentos ao BRB.

O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, afirmou à reportagem que o banco público do Distrito Federal não irá falir nem será liquidado pelo Banco Central. Souza assumiu o cargo em novembro, após a saída de Paulo Henrique Costa, afastado e demitido em decorrência de uma operação da PF (Polícia Federal).

Fundos de pensão
O Ministério Público de pelo menos seis estados está investigando investimentos de fundos de previdência estaduais ou municipais em títulos do Banco Master.

Dados do Ministério da Previdência Social indicam que institutos de aposentadoria investiram mais de R$ 1,8 bilhão em letras financeiras do banco de Vorcaro, sem garantia do FGC, entre outubro de 2023 e dezembro de 2024.

O caso mais significativo envolve o estado do Rio de Janeiro. O Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores fluminenses, alocou cerca de R$ 970 milhões em títulos do Banco Master, o maior valor registrado na lista do ministério.

Em 23 de janeiro, a Polícia Federal realizou uma operação de busca e apreensão em endereços ligados a executivos do Rioprevidência. Após a ação, Deivis Marcon Antunes foi destituído do cargo de diretor-presidente da autarquia estadual.

No Amapá, a Amprev (Amapá Previdência) investiu R$ 400 milhões em letras financeiras do banco. O Ministério Público estadual informou que uma investigação, iniciada antes da falência do Master, está analisando a adequação dessas aplicações à política de investimentos do órgão.

Também na região Norte, o Ministério Público do Amazonas iniciou uma investigação para apurar possíveis irregularidades em investimentos do Amazonprev (Fundo Previdenciário do Amazonas), incluindo aplicações na instituição de Vorcaro. O processo está em andamento sob sigilo.

Empresas
Também foram divulgados investimentos feitos por empresas privadas e estatais em papéis do conglomerado financeiro.

Cerca de R$ 220 milhões em letras financeiras do Banco Master foram adquiridos pela Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro). Além disso, há R$ 140 milhões em CDBs emitidos pelo Letsbank detidos pela Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia), juntamente com R$ 433 milhões desses mesmos papéis pertencentes à Oncoclínicas e R$ 73,5 milhões em CDBs do fundo XP Private Equity I.

Perdas divulgadas até o momento
R$ 46,9 bilhões
Estimativa dos valores a serem pagos pelo FGC aos clientes do Banco Master e do Will Bank que possuíam produtos cobertos pelo fundo, dentro dos limites de reembolso.

R$ 2,6 bilhões
Valor que o Banco Central determinou que o BRB provisione para cobrir perdas relacionadas à compra de carteiras de crédito fraudulentas do Master, avaliadas em R$ 12,2 bilhões. Até a liquidação do banco, o BRB havia recuperado cerca de R$ 10 bilhões.

R$ 1,8 bilhão
Montante aplicado em letras financeiras do Master por institutos de aposentadoria de servidores estaduais ou municipais, sem garantia do FGC. O Ministério Público de pelo menos seis estados está investigando esses investimentos. O Rioprevidência responde pela maior parte, com cerca de R$ 970 milhões.

R$ 433 milhões
Valor dos CDBs do Banco Master detidos pela Oncoclínicas. A empresa busca recuperar do Daniel Vorcaro a participação de 15% que o controlador do banco possui na companhia para compensar as perdas.

R$ 220 milhões
Quantia das letras financeiras do Master vendidas à Cedae, conforme informações da própria empresa.

R$ 140 milhões
Valor dos CDBs emitidos pelo Letsbank detidos pela Emae. A companhia afirma que sua operação não foi impactada e que mantém recursos suficientes para cumprir suas obrigações.

R$ 73,5 milhões
Quantia dos CDBs detidos pelo fundo XP Private Equity I, de acordo com o balanço divulgado até março de 2025. Os dados referentes ao período de março a setembro do ano passado ainda não foram divulgados. A exposição ocorreu por meio de fundos de private equity, sem uso de capital próprio da XP Asset Management.

 

O segundo maior fundo transferido pelo Master ao BRB é o Kyra, com uma carteira de R$ 882 milhões. O valor total baseia-se em ações da Ambipar, que está em processo de recuperação judicial

Folhapress | 08:20 – 28/01/2026

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