Quem é a dentista investigada após denúncias de complicações em procedimentos estéticos no interior de SP
A Polícia Civil investiga a dentista Fernanda Borges da Silva após denúncias de complicações em procedimentos estéticos, incluindo lifting facial, feitos em Ribeirão Preto (SP). Duas pacientes relataram problemas após intervenções no rosto e no pescoço, e a Vigilância Sanitária mantém a clínica citada no caso interditada desde 24 de setembro de 2024.
A queixa mais recente envolve a professora aposentada Leslie Calandra Silveira, de 67 anos. Ela disse que teve sangramento, inchaço e inflamação no pescoço depois de pagar R$ 13 mil por um lifting facial e uma cervicoplastia, com a promessa de rejuvenescer rosto e pescoço.
Lifting facial entra no centro das denúncias em Ribeirão Preto
Em setembro de 2024, outra paciente, a secretária Silvia Maria Cândido, já havia denunciado complicações durante um procedimento chamado “protocolo Livcontour”. A nova denúncia levou o caso a ganhar novo volume e ampliar a atenção de órgãos de fiscalização e investigação.
Nas redes sociais, Fernanda Borges reúne mais de 113 mil seguidores no Instagram e se apresenta como membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial (Sobracibu). No site, ela informa pós-graduações em clínica geral, odontologia estética, ortodontia e ortopedia funcional dos maxilares e harmonização facial.
Conselho cita regra que veda “face lifting” a dentistas
O Conselho Regional de Odontologia afirmou que a profissional não tinha autorização para realizar os procedimentos estéticos relatados pelas pacientes, com destaque para o lifting facial. A presidente do conselho, Karina Ferrão, explicou que há procedimentos liberados na harmonização facial, mas há atos normativos que vedam intervenções específicas, como a ritidoplastia, também chamada de “face lifting”.
A Resolução CFO-SEC-230/2020 lista procedimentos cirúrgicos na face vedados ao cirurgião-dentista, incluindo “ritidoplastia ou face lifting”, além de blefaroplastia, rinoplastia e outros.
Clínica interditada e apuração em andamento
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a clínica onde Fernanda atendia, no Centro de Ribeirão Preto, está interditada administrativamente desde 24 de setembro de 2024. A Vigilância Sanitária disse que a inspeção encontrou irregularidades sanitárias graves, como funcionamento sem licença sanitária para atividades de estética e para policlínica odontológica, além de falhas em normas de controle de infecção.
A Secretaria de Segurança Pública informou que quatro vítimas já procuraram a Polícia Civil e que as diligências continuam. O Conselho Federal de Odontologia declarou que o processo corre em sigilo e reforçou que dentistas não têm autorização para esses procedimentos.
O que diz a defesa
A advogada Mônica Paula Lino declarou que Fernanda tinha autorização para realizar procedimentos estéticos e negou atendimento na clínica após a interdição. Ela também afirmou que as acusações precisam de prova mínima e disse que, se houvesse atendimento no local interditado, a Vigilância teria autuado novamente.
RBN


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