racismo, Milei e crise no BRB
A vigésima quarta edição da Revista Liberta já está disponível. O novo número aborda temas que, à primeira vista, podem parecer desconexos: futebol europeu, reforma trabalhista argentina, sistema financeiro do Distrito Federal e articulações no Congresso Nacional. O que os une é a mesma estrutura de poder.
No futebol, os recentes ataques contra Vinícius Júnior evidenciam algo que o país conhece muito bem: o racismo não é um acidente. Ele permeia as instituições, protege reputações e desvia o foco da violência para o comportamento de quem denuncia. A revista reexamina o caso à luz de pensadoras como Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento e Audre Lorde, mostrando como o silêncio sempre foi utilizado como mecanismo de contenção.
No âmbito esportivo, a edição discute populismo, misoginia e mercado. Clubes, dirigentes e influenciadores são apresentados como parte de uma disputa simbólica mais ampla. O futebol deixa de ser apenas entretenimento e passa a ser considerado uma linguagem política.
Na Argentina, a reforma trabalhista de Javier Milei é examinada a partir de suas consequências práticas. O discurso de flexibilização promete modernização, porém os números indicam perda de direitos, aumento da informalidade e aposentados retornando ao mercado para complementar a renda. Enquanto o empresariado é agraciado, o trabalho perde garantias históricas.
Em Brasília, a coluna Reserva Exclusiva revela que o Banco Central está considerando dois cenários para o BRB: federalização ou liquidação. A tentativa de capitalização bilionária promovida pelo governo local não altera o diagnóstico técnico. A crise do banco expõe as conexões entre gestão política, sistema financeiro e custo institucional.
A edição também aborda a formação da Frente Parlamentar da Cannabis Medicinal e do Cânhamo Industrial. Essa iniciativa surge em resposta a decisões judiciais e normas da Anvisa, enquanto o Projeto de Lei 399/2015 permanece estagnado. O debate coloca ciência e saúde pública diante de resistências políticas persistentes.
Outro tema relevante é a violência sexual e as decisões judiciais que relativizam o estupro de vulneráveis. A análise se baseia em dados oficiais e dialoga com a literatura contemporânea para questionar a forma como o sistema jurídico busca justificar o inaceitável.
A edição conta com contribuições de Juca Kfouri, Leonardo Boff, Márcia Tiburi, João Cezar de Castro Rocha, Luís Costa Pinto e outros colaboradores que examinam os movimentos de poder no Brasil e no exterior.
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