Semana no Poder: Tabuleiro de territórios e batalha sem declaração de guerra no Espírito Santo
Uma semana com diversos movimentos dos grupos que competem pela conquista do Palácio Anchieta.
Quais serão os próximos passos? Acompanhe as principais análises e fatos da semana.
Antes de tudo… I
Os parlamentares Amaro Neto e Messias Donato se despediram do Republicanos nesta semana. Amaro Neto já se filiou ao Progressistas, enquanto Messias Donato está entre o Progressistas e o Podemos.
Antes de tudo… II
A Federação União Progressista, composta pelos partidos União Brasil e Progressistas, avançou para se alinhar com o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) na corrida pelo Palácio Anchieta. Dizem que é um casamento que só falta a formalização.
***
Tabuleiro I
Existe um jogo de tabuleiro popular no Brasil chamado War, da Grow. Nele, combinando estratégia e sorte, o jogador precisa conquistar territórios e cumprir missões específicas para vencer.
Tabuleiro II
No Espírito Santo, a dinâmica política atual se assemelha a esse jogo. De um lado, encontra-se o grupo liderado pelo governador Renato Casagrande (PSB) e pelo vice-governador Ricardo Ferraço (MDB). Do outro lado, está se formando o campo liderado pelos prefeitos Lorenzo Pazolini (Republicanos), de Vitória, e Arnaldinho Borgo (PSDB), de Vila Velha, juntamente com outros aliados.
Tabuleiro III
Os movimentos mais recentes indicam uma estratégia clara de expansão de bases e conquista de novos eleitores. Enquanto o grupo atualmente no poder busca manter seus apoios e fortalecer alianças, o bloco opositor procura ampliar sua influência e desafiar o arranjo político estabelecido por Casagrande e Ferraço.
Tabuleiro IV
Nos últimos anos, Vitória, sob a gestão de Pazolini, se consolidou como um polo de oposição ao governo estadual. Esse contraponto não é exclusivo do momento atual e já foi observado durante o terceiro mandato do ex-governador Paulo Hartung (PSD). O governo consegue ter influência em algumas cidades, mas não de forma unânime.
Tabuleiro V
Conquistar e manter territórios, ou seja, municípios e suas lideranças, é fundamental para quem deseja governar o Palácio Anchieta. Em 2022, apesar do amplo apoio de prefeitos que Casagrande angariou, a vitória sobre Carlos Manato (PL) exigiu um esforço significativo, principalmente em um cenário marcado pela polarização.
Tabuleiro VI
Essa polarização persiste, especialmente em nível federal, entre o lulismo e o bolsonarismo. No âmbito estadual, no entanto, observa-se um ambiente de questionamentos e reajustes, com o afastamento de antigos aliados e a abertura de novas frentes na disputa pela sucessão.
Tabuleiro VII
As pesquisas de intenção de voto indicam que a eleição tende a ser altamente competitiva, possivelmente em um nível sem precedentes na história recente do Espírito Santo.
Tabuleiro VIII
Ter um município administrado por um aliado não garante necessariamente sucesso nas urnas. As mudanças de humor do eleitorado e as reviravoltas são sempre possíveis. Portanto, as estratégias políticas para conquistar diferentes redutos devem se intensificar nos próximos meses.
Tabuleiro IX
Cada liderança é importante. Cada apoio conta. Está se formando um verdadeiro exército em um tabuleiro cada vez mais disputado. Assim como no jogo que inspira essa metáfora, apenas um sairá vitorioso, e os efeitos desse desfecho serão sentidos tanto pelo grupo vencedor quanto pelo grupo derrotado.
***
Batalha sem declaração I
Os principais grupos que disputam espaço nas candidaturas no Espírito Santo travam uma batalha “silenciosa”, ainda sem uma declaração formal de guerra. O embate se dá principalmente no enfraquecimento dos adversários.
Batalha sem declaração II
Neste momento, observam-se dois polos principais, sem ignorar outros grupos. De um lado, está o grupo liderado pelo governador Renato Casagrande (PSB), que já definiu o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) como seu candidato natural à sucessão. Do outro lado, está o bloco que reúne o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), e o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB).
Batalha sem declaração III
O primeiro impacto significativo veio de Vila Velha. Arnaldinho optou por não apoiar Ricardo e seguir um caminho diferente. Apesar de ainda se declarar aliado de Casagrande, seus movimentos apontam para outra direção. Essa mudança ficou clara com a filiação do vice-prefeito Cael Linhalis ao PSDB, ele que era filiado de longa data ao PSB e amigo do governador. Esse gesto foi interpretado como simbólico e estratégico.
Batalha sem declaração IV
No lado oposto ao grupo no poder, um movimento relevante foi a consolidação do PSD ao lado de Pazolini e Arnaldinho. Essa aliança era esperada, especialmente considerando a presença do ex-governador Paulo Hartung no partido, que não demonstra grande afinidade com a dupla Casagrande/Ricardo.
Batalha sem declaração V
As reações, porém, começaram a surgir. Sem trocas de acusações públicas, observou-se o que muitos chamam de “desmantelamento” do Republicanos, com a saída dos deputados federais Amaro Neto e Messias Donato. Esse movimento tem peso político, especialmente porque o tamanho da bancada na Câmara dos Deputados é crucial para a distribuição de recursos e tempo de propaganda.
Batalha sem declaração VI
Caso Pazolini confirme sua candidatura ao governo, ele precisará de uma chapa forte para a Câmara Federal para sustentar o projeto. A possível saída de dois parlamentares fragiliza a estratégia e impõe um desafio ao presidente estadual do partido, Erick Musso, que também é mencionado como possível candidato a uma vaga em Brasília. Há especulações sobre a chegada do deputado federal Evair de Melo (Progressistas). A questão é: em que condições? E haveria espaço para cumprir compromissos já assumidos?
Batalha sem declaração VII
É certo que, em algum momento, a guerra será declarada, com acusações explícitas e nomes em destaque. No entanto, todos aguardam o momento adequado. Em uma disputa tão acirrada, um passo em falso pode custar caro. E há muito em jogo no Espírito Santo.
***
Foto da semana
O prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB), e o deputado federal Messias Donato (Republicanos) se encontraram algumas vezes ao longo da semana para discutir sobre um novo partido para Messias.
***
Fale com a coluna
Nosso e-mail é poder@eshoje.com.br.
Desejamos um ótimo fim de semana!



