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‘Sinto o choro de todas’, diz mãe de Tainara, atropelada e arrastada por 1 km em SP

‘Sinto o choro de todas’, diz mãe de Tainara, atropelada e arrastada por 1 km em SP

‘Sinto o choro de todas’, diz mãe de Tainara, atropelada e arrastada por 1 km em SP

PAULO EDUARDO DIAS
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – “Se forem 50 anos, que cumpra 50 anos, sem benefícios”. A declaração da auxiliar geral Lucia Silva, 50, resume sua busca por justiça pela morte de sua filha Tainara Souza Santos, 31. A mulher foi atropelada e arrastada por um veículo conduzido por Douglas Alves da Silva, 26, por aproximadamente 1 km, na manhã de 29 de novembro no Parque Novo Mundo, zona norte de São Paulo.

“É um dia de cada vez, não está fácil para mim. Acordo chorando, a tarde é chorando e durmo chorando. Às vezes, acordo com raiva, sentimento de ódio, mas peço para Deus tirar do meu coração”, relatou Lucia.

Tainara faleceu há um mês, na véspera do Natal, no Hospital das Clínicas, onde estava internada após ter as pernas amputadas e passar por diversas cirurgias. Ao todo foram 25 dias de internação.

“Esse indivíduo arruinou a minha vida, a vida dos meus netos. Espero que a justiça seja feita, que haja a pena máxima, sem que a Justiça demore”, expressou a mãe de Tainara em conversa com a Folha na sexta-feira (23). A mulher, que trabalhava como auxiliar geral, deixou dois filhos menores de idade.

A brutalidade do crime causou impacto. As imagens, que foram exibidas na TV e circularam nas redes sociais, provocaram protestos nas ruas e repulsa até de policiais civis e militares, profissionais acostumados com a violência diária.

Douglas está detido, acusado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de ser o autor do crime. A Justiça o tornou réu sob acusação de tentativa de feminicídio e tentativa de homicídio, já que também teria tentado atropelar um homem que estava com a vítima. Com o falecimento de Tainara, a acusação no caso dela deve ser alterada para feminicídio. O processo está sob segredo de Justiça.

Tainara saía de um bar com um homem quando Douglas se encontrava no mesmo local. Segundo a investigação, ele, que teve um breve relacionamento no passado com Tainara, teria se irritado ao vê-los juntos e decidiu atropelar ambos. O homem sofreu ferimentos leves.

Douglas afirmou em depoimento que não conhecia Tainara e que sua intenção era atropelar o acompanhante dela, após ele se envolver em uma briga com um amigo seu dentro do bar naquela madrugada.

O advogado Marcos Leal afirmou que Douglas está arrependido. “Ele nunca negou autoria. Mas ele nega veementemente que teve qualquer relacionamento com Tainara. A defesa está solicitando provas do relacionamento que, na realidade, não existiu. Ele afirma que nunca se encontrou ou conversou com Tainara.”

Leal caracterizou o crime como horrendo.

Douglas está detido no Centro de Detenção Provisória 2 de Guarulhos, na Grande São Paulo. Ele fugiu do local do atropelamento, mas foi detido por policiais civis na noite de 30 de novembro, em um quarto de um hotel na Vila Prudente, zona leste da capital. Durante a ação, teria tentado reagir e foi baleado em um dos braços.

Lucia mencionou que está começando a se reerguer. Retornou ao trabalho com o marido, padrasto de Tainara, e tem participado de sessões virtuais com um psicólogo duas vezes por semana.

“Estou começando a reagir. A vida tem que continuar. Justiça por ela e por todas as mulheres. Não é justo isso, cada dia é um caso, uma barbárie. Estou inconformada com isso. Que minha dor e de tantas outras mães chegue ao Congresso. Eu sinto o choro de todas as mães”, declarou.

O Brasil registrou recorde desse tipo de crime em 2025, com pelo menos 1.470 ocorrências, de acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Desde a tipificação do feminicídio, em 2015, 13.448 mulheres foram vítimas em território nacional.

Os registros de 2025 superam os 1.464 contabilizados em 2024 (um aumento de pelo menos 0,4%) e são os maiores em dez anos. Os dados, no entanto, ainda devem aumentar, uma vez que Alagoas, Paraíba, Pernambuco e São Paulo ainda não enviaram os números referentes aos crimes de dezembro.

Os números do ano passado representam uma média de quatro mulheres assassinadas diariamente em situações de violência doméstica, familiar ou motivadas por misoginia.

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