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Técnicos da Câmara Legislativa recomendam rejeitar projeto sobre BRB

Técnicos da Câmara Legislativa recomendam rejeitar projeto sobre BRB

Técnicos da Câmara Legislativa recomendam rejeitar projeto sobre BRB

Técnicos da Câmara Legislativa recomendam rejeitar proposta envolvendo BRB

A Consultoria Legislativa da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) sugeriu a rejeição do projeto de lei que autoriza a capitalização do Banco de Brasília (BRB) pelo governo local, incluindo a possibilidade de venda ou transferência de imóveis públicos ao banco.

Em uma nota técnica de 112 páginas, os peritos apontam a falta de informações essenciais para a análise da proposta e ressaltam riscos fiscais, jurídicos e patrimoniais.

“Com base nos documentos apresentados e nas lacunas de transparência identificadas, as salvaguardas mínimas que a CLDF deve adotar consistem em rejeitar o projeto de lei em sua forma atual”, afirma um trecho do documento.

Dentre as falhas destacadas, estão a ausência de uma estimativa de impacto orçamentário-financeiro, a falta de comprovação de compatibilidade com a legislação vigente, além da omissão de uma avaliação econômica prévia dos bens públicos que poderiam ser transferidos ao banco.

A consultoria também menciona o Artigo 51 da Lei Orgânica do DF, que demanda autorização legislativa acompanhada de justificativa de interesse público e avaliação antecipada dos ativos. De acordo com os técnicos, a falta de laudos anexados torna a autorização vulnerável a questionamentos judiciais e ações por improbidade administrativa.

No mérito, o estudo alerta que a transferência de imóveis de empresas públicas como a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), a Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap), a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) e a Companhia Energética de Brasília (CEB) acarreta em riscos fiscais, patrimoniais e jurídicos consideráveis.

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Impacto no mercado imobiliário

Os técnicos também apontam o risco de um possível excesso de oferta no mercado imobiliário, caso diversos terrenos sejam disponibilizados para venda simultaneamente, o que poderia depreciar o patrimônio público. Eles ainda chamam a atenção para os limites regulatórios do sistema bancário, como o Índice de Imobilização, que restringe a concentração de ativos imobilizados no patrimônio líquido do banco.

Outro ponto sensível é a hipótese de capitalização por meio de empréstimos. A nota técnica menciona o Artigo 36 da Lei de Responsabilidade Fiscal, que proíbe operações de crédito entre instituição financeira estatal e o ente controlador. Embora o governo defenda se tratar de uma troca de ativos, os técnicos citam entendimento do Tribunal de Contas da União (TCU) de que aportes destinados a cobrir prejuízos sem expectativa real de retorno podem configurar “socorro ilegal”.

Limite excedido

Apresentado à Câmara Legislativa em 21 de março, o projeto prevê a contratação de operações de crédito de até R$ 6,6 bilhões. Esse valor, conforme a consultoria, pode ultrapassar o limite anual estabelecido pelo Senado Federal para o Distrito Federal. O estudo também aponta para um risco de “contágio fiscal”.

A nota também menciona um possível impacto do empréstimo na nota de capacidade de pagamento (Capag) do DF, atualmente classificada como nível C pelo Tesouro Nacional. Com essa classificação, o governo local não pode contrair empréstimos com garantia da União, nos quais o Tesouro cobre possíveis inadimplências do ente federativo.

Alerta

No contexto da análise legislativa, o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa Souza, encontrou-se na manhã de segunda-feira (23) com deputados distritais. Durante a reunião, ele afirmou que, sem a aprovação do projeto, “o banco para de funcionar”.

Mesmo ocorrendo a portas fechadas, Souza entregou aos deputados distritais uma cópia do discurso proferido. Segundo ele, apesar do impacto na reputação e das irregularidades identificadas nas carteiras adquiridas, não houve interrupção nas atividades nem negligência da gestão atual. O dirigente declarou que, dos R$ 12 bilhões em ativos adquiridos com suspeitas de fraude, R$ 10 bilhões já foram liquidados ou substituídos.

Consequências possíveis

Souza defendeu que o projeto “não representa um cheque em branco”, mas sim um instrumento para garantir a sobrevivência da instituição. Ele apresentou uma lista de possíveis consequências caso a proposta não seja aprovada, tais como a interrupção de transferências de renda de programas sociais, a paralisação do sistema de bilhetagem do transporte público, a suspensão de linhas de crédito imobiliário, rural e para micro e pequenas empresas, além do impacto sobre 6,8 mil empregados.

“O debate não se refere ao passado. Trata-se da estabilidade futura do DF”, afirmou o presidente, de acordo com a cópia do discurso, ao alertar que a eventual descontinuidade do banco pode acarretar um risco sistêmico e comprometer décadas de contribuição da instituição para o desenvolvimento econômico do Distrito Federal.

A versão mais recente do projeto foi apresentada pelo GDF após prejuízos derivados da aquisição de carteiras de crédito do Banco Master. A proposta autoriza o DF, como acionista controlador, a contratar operações de crédito com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ou outras instituições financeiras. O projeto também prevê o aumento de capital do banco por meio da transferência de bens móveis ou imóveis e a eventual venda de ativos públicos para arrecadar recursos para a instituição.

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