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Tragédia com pó radioativo que matou criança no Brasil é contada em série da Netflix

Tragédia com pó radioativo que matou criança no Brasil é contada em série da Netflix

Tragédia com pó radioativo que matou criança no Brasil é contada em série da Netflix

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O detector de radiação dispara ao ser apontado para uma menina de seis anos. A contaminação já se espalhou por todo o corpo dela, e suas chances de sobreviver são mínimas. Celeste, como os cientistas descobrem, teve contato com a substância césio-137 – um pó brilhante, porém altamente tóxico. Inocentemente, a menina pensou que o belo material tinha vindo do espaço.

Na realidade, Celeste era Leide das Neves Ferreira. Sua história é uma das contadas em “Emergência Radioativa”, minissérie brasileira da Netflix que aborda a tragédia radiológica de Goiânia em 1987, que afetou centenas de pessoas. Este evento continua sendo o maior acidente radioativo fora de usinas nucleares até os dias atuais.

O desastre de Chernobyl, na antiga União Soviética, ocorreu um ano antes, gerando temores globais sobre a propagação da radiação para outros países. Por isso, a população de Goiânia hesita em acreditar que algo aparentemente inofensivo, como um pó azulado, poderia causar tamanha devastação, como afirmam os cientistas.

Na série, os especialistas clamam desesperadamente pelas ruas para que as pessoas evacuem suas residências e busquem abrigo seguro, pois tudo precisa ser descontaminado. Somente depois de muitos adoecerem, perderem cabelo, sentirem náuseas e desenvolverem queimaduras na pele é que o pânico começa a se espalhar.

Johnny Massaro interpreta Márcio, o protagonista, um físico que se vê diante de uma potencial catástrofe. Embora o ator tenha se consultado com especialistas para compreender os fundamentos por trás do raciocínio complexo de seu personagem, Massaro não teve permissão para interagir com as vítimas sobreviventes ou suas famílias.

“Nenhum personagem representa alguém real”, explica o diretor Fernando Coimbra, conhecido pelos suspenses “O Lobo Atrás da Porta” e “Os Enforcados” no cinema. “Precisávamos fazer alterações no caso, então optamos por evitar associações entre os atores e as vítimas, para que fique claro que é ficção.”

Coimbra menciona o caso de Celeste, que não deve ser vista como um retrato fiel de Leide. O intuito era ter liberdade para intensificar o drama, algo inviável em uma produção documental. Uma das cenas mostra a garota se recusando a deixar para trás sua boneca favorita ao ser levada para um local de descontaminação. Celeste apenas desejava mais tempo para brincar.

Massaro, um dos atores mais populares de sua geração, se interessou pelo projeto por possibilitar entretenimento aliado a reflexões sobre política e sociedade.

O ator também abordou temas semelhantes em “Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente”, série da HBO Max lançada no ano anterior, que retrata a vida de um homem gay durante a epidemia de Aids nos anos 1980.

Apesar da coincidência de ambas as obras abordarem tragédias reais, Massaro ressalta que hoje pode selecionar projetos. Ele surgiu na novela infantil “Floribella” aos 13 anos e construiu sua carreira na TV Globo. Atualmente, ele transita entre atuações em TV aberta e streaming, além de ter dirigido um filme, “A Cozinha”, há três anos.

No elenco de “Emergência Radioativa” também estão Ana Costa, que interpreta uma das pessoas contaminadas por césio-137, e Paulo Gorgulho, um dos cientistas. Gorgulho já retratou essa mesma história em formato de filme, “Césio 137 – O Pesadelo de Goiânia”, de 1990, no qual desempenha o papel de um dos catadores que encontrou o material radioativo.

EMERGÊNCIA RADIOATIVA

– Classificação: 12 anos
– Elenco: Johnny Massaro, Ana Costa e Paulo Gorgulho
– Produção: Brasil, 2026
– Direção: Fernando Coimbra

Créditos