Uma mancha no mar pede respostas
Estamos em março e, até o momento, não há respostas claras sobre a identidade ou a origem da mancha no mar de Vitória, que surgiu no final de dezembro passado.
O silêncio predominante é revelador: as autoridades públicas não conseguem estabelecer um diálogo, optando por se esquivar das responsabilidades.
A Prefeitura de Vitória atribui a responsabilidade à Cesan, enquanto esta afirma que não lhe cabe e repassa à prefeitura.
Poderia-se esperar que ambos utilizassem métodos filosóficos e lógicos para esclarecer a população sobre a mancha em questão. No entanto, em vez de descartar as possibilidades falsas para chegar à verdade, prevalece a incerteza.
É inaceitável que, apesar da presença de laboratórios, especialistas e protocolos ambientais, ninguém consiga – ou queira – identificar com clareza a natureza e a origem da mancha que afeta o litoral da Capital.
Parece que não há interesse em revelar a verdade, pois isso poderia implicar em assumir responsabilidades.
Além disso, a justificativa de que o assunto está “politizado” reforça a necessidade de separar interesses partidários da transparência e da ação do Estado.
Politização não deve ser desculpa para omissão. A sociedade merece respostas claras, prazos e responsabilidades definidos, mesmo que haja questões técnicas em aberto.
O mais inaceitável é deixar a sociedade sem orientação, aumentando a sensação de abandono juntamente com a persistência da mancha no mar.



