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Vazamento de trechos de reunião gera desconforto no Supremo

Vazamento de trechos de reunião gera desconforto no Supremo

Vazamento de trechos de reunião gera desconforto no Supremo

A retirada de Dias Toffoli da relatoria do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF) não acalmou a tensão interna, pelo contrário. Ministros passaram a suspeitar que conversas privadas entre membros da Corte foram gravadas, e que parte do conteúdo teria sido repassada ao Poder360.

Nesta sexta-feira (13), o jornal digital divulgou um relato detalhado das reuniões ocorridas na quinta-feira, incluindo uma conversa preliminar restrita a cinco ministros: o presidente Luiz Edson Fachin, Toffoli, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia.

Após a publicação, ministros informaram ao blog que grande parte do texto reflete o que foi debatido e reproduz literalmente frases ditas durante o encontro. Entretanto, algumas declarações teriam sido distorcidas. Segundo esses magistrados, o relato também omitiu trechos desfavoráveis a Toffoli. Essa ausência alimentou suspeitas internas contra ele, algo que teria circulado no tribunal ao longo do dia.

Questionado pela GloboNews, Toffoli negou as acusações e afirmou que a informação é “totalmente falsa”, e que nunca gravou ninguém em sua vida.

A repercussão causou surpresa entre os ministros. “São citações literais, em uma sequência muito similar ao que ocorreu nas reuniões. Para aqueles que estavam presentes, a sensação é de que alguém dentro da sala gravou tudo”, disse um ministro. Outro foi direto: “É uma traição, muitas frases são literais. No entanto, algumas são fabricações a favor do próprio vazador”.

No total, três reuniões aconteceram na quinta-feira: uma restrita antes da sessão plenária e outras duas após a sessão, com duração de duas horas e vinte minutos e cerca de 30 minutos, respectivamente. Nenhum assessor esteve presente fisicamente.

De acordo com o Poder360, na reunião reservada, oito dos dez ministros teriam defendido a permanência de Toffoli no inquérito relacionado a fraudes financeiras do banco de Daniel Vorcaro. Apenas Fachin e Cármen Lúcia teriam sido favoráveis à saída. “Todo taxista que eu pego fala mal do Supremo. A população está contra o Supremo”, teria declarado Cármen Lúcia.

Segundo a reportagem, Nunes Marques sugeriu: “Minha proposta é que o ministro relator do processo apresente uma proposição afirmando que não é impedido nem suspeito e exponha seus argumentos diante do que foi apresentado, e nós votamos. E pelo que vi aqui, ele terá maioria. O ideal seria unanimidade, presidente [Fachin]”.

Após um comentário de Flávio Dino sobre o contexto político do caso, Toffoli teria concordado que o melhor seria se afastar. Com isso, André Mendonça foi designado como novo relator, evitando assim uma declaração de suspeição e preservando as ações já realizadas. Nesta sexta-feira, Mendonça se reuniu com delegados da Polícia Federal para entender o progresso da investigação.

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